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O Booker Prize continua a mover montanhas e leitores

Foi anunciado esta semana o vencedor do Booker Prize 2025, um dos mais cobiçados prémios literários do mundo. O humor desconcertante de David Szalay junta-se agora ao panteão não dos deuses, mas de autores das mais diversas geografias que escrevem na língua de Shakespeare.

David Levenson / Getty Images

David Szalay vence o Booker Prize 2025 com “Flesh”. Traz colado à pele o facto de ser a primeira vez que um autor húngaro-britânico recebe esta distinção, que além de contemplar um prémio pecuniário no valor de 50 mil libras (cerca de 57 mil euros), tem subjacente uma relevante promessa: o provável aumento exponencial do volume de vendas da obra premiada. A sexta ficção do autor, que já fora selecionado para o Booker de 2016 com o romance “All That Man” (ver caixa), é uma reflexão sobre o poder e acompanha a vida do adolescente Istvan, na Hungria, que depois trocará pela capital britânica, deixando o exército para se instalar junto dos super-ricos de Londres.
David Szalay, filho de mãe canadiana e de pai húngaro, nasceu em 1974 em Montreal. Ainda em criança, a família muda-se para Beirute, cidade que foram forçados a deixar devido à guerra civil libanesa. Seguiu-se Londres, onde frequentou a Sussex House School. Graduou-se em Oxford, teve vários empregos e rumou a Bruxelas. Ser escritor tornou-se a sua grande ambição. Próxima paragem nesta demanda? Pécs, na Hungria.
Szalay até pode ser o primeiro autor húngaro-britânico a receber o cobiçado Booker, mas não está sozinho no panteão húngaro, uma vez que Laszlo Krasznahorkai, que este ano venceu o Prémio Nobel da Literatura, ganhou o International Booker Prize em 2015. Na conferência de imprensa após a cerimónia de entrega do prémio, a 10 de novembro, Szalay, no seu humor ácido, gracejou. “Quando entregaram o Nobel a Laszlo, dei comigo a pensar: ‘Será que preencheu a quota de autores húngaros para este ano?!’”. E logo rematou dizendo que, em última instância, é britânico. “Mas a verdade é que 2025 tem sido um ano em cheio para autores com uma costela húngara.”
O Booker MacConnell Prize, vulgarmente conhecido por Booker Prize, é tão-só um dos mais famosos prémios literários do mundo. Atribuído anualmente desde 1969, é também um poderoso estimulante para o estatuto e reconhecimento dos respetivos autores e uma importante vitamina no que toca à divulgação e venda dos livros premiados. Por tudo isto, o Booker é visto como uma instituição cultural de incomparável influência no mundo literário. Razões de peso para continuar a ser, na atualidade, um dos mais ambicionados prémios.

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