Da Noruega ao Quiribati, desde o final do século XIX que os Estados com excedentes orçamentais criam fundos soberanos para financiar investimento público ou fazer face a choques inesperados. Com mais de 14 biliões de euros em ativos a nível global no arranque deste ano, estes fundos têm vindo a atrair cada vez mais interesse dos investidores, que procuram replicar alguns dos seus investimentos, sendo os instrumentos institucionais que mais cresceram nos últimos cinco anos.
O fundo soberano da Noruega é o maior do mundo, gerindo mais de 2 biliões de dólares (1,75 biliões de euros), seguido do SAFE e do China Investment Corporation, ambos chineses, que gerem mais de 3,5 biliões de dólares (3,1 biliões de euros) em conjunto, de acordo com o ranking compilado pelo Sovereign Wealth Fund Institute. O top 5 é fechado com o fundo de Abu Dhabi e o do Kuwait, que também fecham o grupo que gere mais de um bilião de dólares em ativos.
Outros nomes de relevo associados a países com grandes reservas de matérias-primas, sobretudo energéticas, saltam à vista. O Public Investment Fund, da Arábia Saudita, é o oitavo maior do mundo, acima do qatari, no nono posto, e do gerido pelo Dubai, na 13ª posição. Estes fundos gerem diretamente as reservas petrolíferas destes países, canalizando as receitas para aplicações financeiras. No Golfo, o Kuwait tem o fundo mais antigo, de 1953, que já serviu, por exemplo, para estabilizar a divisa durante a guerra de 1990-91.
No entanto, nem todos os países ricos em petróleo agiram da mesma forma. O fundo indonésio, comummente referido como Danantara, resultou da fusão de sete agências públicas, sendo as receitas o resultado dos dividendos consolidados das mesmas. Aqui inclui-se a empresa pública de gestão das reservas de petróleo e gás.
Juntam-se pequenos países como Timor-Leste ou o Brunei, cujas reservas de hidrocarbonetos fornecem uma via de estabilizar as suas moedas, mas também investir no futuro. E nem só de fontes de energia são feitas as receitas destes fundos: o Quiribati, um pequeno arquipélago da Micronésia, financia o seu REFR através de tarifas na exportação de fosfato, crucial para fertilizantes.
Por outro lado, Estados com poucos recursos naturais, mas sistemas financeiros apelativos para o exterior também se veem a braços com um excesso de reservas que, cada vez mais, é aplicado no mercado. Esse é o caso dos fundos de Singapura, o sexto maior do mundo, ou Hong Kong, o décimo.
Finalmente, Espanha foi o exemplo citado pelo primeiro-ministro Luís Montenegro para sinalizar o modelo preferencial para Portugal, sendo que, tal como deste lado da fronteira, os espanhóis também não possuem reservas de matérias-primas relevantes nos mercados. O instrumento espanhol servirá então para dar continuidade ao PRR, contando com uma dotação inicial de 10,5 mil milhões de euros provenientes precisamente do financiamento comunitário.
Mais de 14 biliões sob gestão, da Noruega ao Quiribati
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Seja para gerir hidrocarbonetos, fosfatos ou reservas oriundas de um sistema financeiro robusto, os fundos soberanos são o instrumento institucional que mais cresceu nos últimos cinco anos.