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FMI corta crescimento e já não prevê défice este ano nem no próximo

Fundo deixou de antecipar défices em 2026 e 2027, mas também antecipa menos crescimento e mais inflação. PSU tem apoio, mas garantia pública na compra de casa é para reverter.

Menos crescimento, mais inflação, mas também sem défice: o Fundo Monetário Internacional (FMI) atualizou as projeções macro para a economia portuguesa e, apesar de ter cortado no crescimento, também deixou de antever um défice este ano e no próximo. Houve ainda lugar a recomendações, algumas repetidas, quanto ao sistema de pensões e benefícios fiscais.
Na avaliação periódica do FMI à economia nacional a propósito do Artigo IV, o crescimento para este ano foi cortado de 1,9% para 1,7% e, para os dois próximos anos, a expectativa é de um avanço de 1,7% e 1,6%. Ou seja, também aqui houve lugar a revisões em baixa em relação aos 1,8% previstos para ambos os anos.
Apesar do corte, os diretores do FMI elogiam “a forte performance económica portuguesa”, sobretudo a recuperação após a pandemia. Ainda assim, o cenário traçado é menos otimista do que o do Governo, que aponta a 2% este ano.
Do lado orçamental, e em sentido inverso às revisões em baixa no crescimento, o FMI antecipa agora um saldo nulo este ano, uma melhoria em relação ao défice de 0,1% previsto anteriormente. Para 2027, a expectativa é novamente de um saldo zero, isto quando a anterior projeção passava por um défice de 0,2%.
Ainda na vertente macro, a inflação continua algo “volátil”, mas num perfil descendente, sendo que a previsão para o final deste ano é de 3,4%, uma revisão de 0,3 pontos percentuais (pp) em relação ao exercício mais recente. O indicador de preços deve moderar no próximo ano para 2,3%, ou seja, abaixo dos 2,7% previstos anteriormente.
Apesar dos elogios à prestação nacional, o Fundo mantém o foco no sistema de pensões e na fiscalidade. A sustentabilidade do sistema tem sido melhorada nos últimos anos, reconhecem os técnicos, mas “são precisos mais esforços para a reforçar”, sobretudo via Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS).
O relatório mostra-se ainda favorável à proposta do Governo de fundir 13 apoios numa só prestação – a Prestação Social Única (PSU). O objetivo, lê-se no relatório, é “simplificar o acesso, reforçar incentivos ao trabalho e proporcionar uma maior proteção às pessoas em situação de vulnerabilidade”.
Finalmente, o FMI pede ao Governo que considere “reverter medidas de apoio à procura mal direcionadas”, com a garantia pública na compra de casa por jovens à cabeça, que distorceu ainda mais o mercado. Também o alívio via fiscal nos combustíveis é uma medida a ser revista e substituída por “apoios dirigidos a famílias de mais baixos rendimentos e empresas viáveis pressionadas pelo choque energético”, lê-se.

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