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Maior desafio da gestão de ativos é a governance

O crescimento pressiona a gestão. Inês Drumond alerta para a necessidade de transparência, porque a confiança é a base do negócio.

A gestão de ativos em Portugal está a crescer, a atrair novos operadores e a ganhar peso no financiamento da economia, mas a governance mantém-se como um desafio. É preciso convencer o setor de que não se trata de um custo regulatório, mas de uma condição para a sua sustentabilidade. A avaliação é de Inês Drumond, economista, professora universitária e vice-presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
O mercado português conta atualmente com mais de 150 sociedades gestoras de ativos e mais de mil organismos de investimento coletivo, entre fundos mobiliários, imobiliários e de capital de risco. Nos últimos 10 anos, o crescimento foi transversal aos vários segmentos, impulsionado pela procura de alternativas aos depósitos bancários e pela entrada de novos operadores no perímetro regulado. O que cria desafios.
“Um dos maiores desafios que nós temos é demonstrar que a governance não é um custo”, afirmou Inês Drumond, convidada do episódio de junho do Boa Governança, o videocast do Jornal Económico (JE) e do Instituto Português de Corporate Governance (IPCG).
“Não se vê a outra face da moeda, que é extremamente relevante quando falamos no mercado de capitais e na necessidade de ter transparência para o investidor e confiança no mercado”, acrescenta.
O crescimento acelerado do setor pressiona a governação das sociedades gestoras, sobretudo porque muitas têm uma dimensão reduzida. Nesses casos, os administradores acumulam frequentemente outras atividades, o que levanta questões. Primeiro, de disponibilidade. “Temos de ter tempo para dedicar à entidade, caso contrário, a própria sustentabilidade do modelo de negócio pode estar em causa”, advoga. Depois, relativamente a conflitos de interesses. “É um ponto também para o qual nós olhamos com muita atenção. Os conflitos interesses podem existir, têm de ser identificados, evitados, se possível mitigados e tem de se saber lidar com eles”, afirma.
A CMVM tem batalhado pela transparência. É indispensável para a consolidação do mercado. Inês Drumond recorda que a confiança continua a ser um dos principais ativos do mercado de capitais. “Não nos podemos esquecer que estas entidades têm um dever fiduciário relativamente aos investidores”, sublinha.
O Boa Governança está disponível no site do Jornal Económico, em jornaleconomico.pt, e em podcast nas principais plataformas.

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