O setor da hotelaria revela um sentimento de pessimismo em relação às taxas de ocupação para o período do verão de 2026.
De acordo com os resultados do inquérito ‘Balanço Páscoa e Perspetivas Verão 2026’, da Associação de Hotelaria de Portugal (AHP) divulgado na terça-feira, 2 de junho, metade dos inquiridos assumem que nesse capítulo, este verão vai ser pior do que em 2025, sendo que 40% demonstram esse pessismo com os proveitos totais e 41% em relação à estada média.
Os clientes portugueses continuam a ser vistos como o principal mercado por 68% dos inquiridos, valor que representou uma quebra de 10 pontos percentuais face ao período homólogo de 2025.
Contrariando a tendência nacional, surge em segundo lugar o Reino Unido com uma subida de 53% para 58% e Espanha, que verifica uma ligeira descida de 43% para 42%.
“As pessoas estão a guardar-se para o último momento. Ainda é cedo para concluir que não vai ser um mercado importante para o verão”, afirmou Cristina Siza Veira, presidente da AHP, na apresentação do inquérito.
Esta quebra nacional é vista pela responsável com uma “relativa preocupação”, pelo facto do mercado nacional ter sido sempre apontado como o principal cliente, por mais de 80% dos inquiridos.
“Sinalizamos a perspetiva de perceber o que se passa com o mercado interno. Existe um maior pessimismo na confiança do turismo nacional”, referiu.
Quem também está atenta às variáveis que podem ter impacto na atividade turística e agentes do setor é a Confederação do Turismo de Portugal (CTP).
Ao Jornal Económico, Francisco Calheiros, presidente da CTP, afirma que “uma quebra, ainda que ligeira na atividade, resulta em consequências para o crescimento económico e para o emprego em Portugal”.
O responsável volta a alertar para os problemas que se vivem no aeroporto de Lisboa, que opera no limite das suas capacidades, e que aliado ao contexto internacional marcado pela instabilidade, as oscilações nos custos da energia e perturbações na aviação “são fatores de risco para o turismo, que podem ter efeito direto na economia nacional”, salienta.
Por sua vez, Cristina Siza Vieira salienta que as filas no aeroporto “têm sido uma desgraça”, sendo apontados por 37% dos inquiridos como um dos principais riscos para a hotelaria no verão.
No entanto, e apesar de todo este cenário, Francisco Calheiras considera que o setor do turismo está hoje mais “robusto, competitivo e capaz de responder às dificuldades conjunturais”.
Hotelaria preocupada com quebra do mercado nacional para o verão
/
Hotelaria revela um sentimento de pessimismo em relação às taxas de ocupação, mas a Confederação do Turismo confia na robustez e competitividade da indústria.