Portugal tem uma das maiores zonas económicas exclusivas (ZEE) da Europa, mas a economia azul continua a representar uma parcela relativamente limitada do produto interno bruto português. O que tem falhado nas estratégias de desenvolvimento económico?
Temos, antes de mais, de estabilizar o conceito de economia azul, que é multidimensional por natureza. O mar é fonte de alimento, energia, transporte e lazer, mas também um ativo natural com um papel crítico no equilíbrio climático do planeta. É, por isso, um ativo territorial com enorme potencial económico, mas também com grande complexidade e um ecossistema muito sensível. Neste contexto histórico, a exploração económica da ZEE portuguesa tem de gerar valor com atividades de impacto neutro ou, idealmente, regenerador para o oceano. Trata-se de um modelo de negócio exigente, que demora tempo a consolidar e a substituir os modelos convencionais. Daí a distância ainda existente entre a perceção do potencial económico do mar e a sua concretização.
“Portugal precisa de democratizar a educação marítimo-oceânica”
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O presidente do Fórum Oceano considera que a economia azul tem evoluído em Portugal, mas que ainda há muito a fazer para que se afirme claramente no contexto económico e se transforme num motor para o crescimento. Excesso de burocracia, escassez de talento, incentivos desalinhados e falta de modernização das infraestruturas continuam a fazer com que não aproveitemos todo o potencial do mar.