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Já começou a guerra energética total no Médio Oriente

As infraestruturas energéticas tinham vindo a ser poupadas dos ataques, mas tornaram-se agora nos alvos preferidos de ambos os lados. Médio Oriente ainda consegue exportar 60% do seu petróleo através de três pontos agora cruciais, mas até quando?

O mundo vive a sua primeira grande guerra energética total. Se nos primeiros 20 dias de guerra no Médio Oriente, a destruição de alvos energéticos foi um tabu, tudo mudou esta semana.
Tudo aconteceu em apenas 24 horas. Pelo meio, o petróleo dispara dos 100 para os 120 dólares. E a guerra que era para ser curta não tem fim á vista. Israel bombardeia o maior campo de gás do mundo no Irão. OQatar garante que não teve nada a ver com o assunto. Israel disse que estava coordenado com os EUA. Donald Trump disse que não foi avisado por Israel. Entretanto, o Irão bombardeou a maior fábrica de gás líquido do mundo no Qatar. E Trump volta às redes sociais, garantindo que pediu a Israel para não voltar a atacar os ataques a alvos energéticos no Irão. Os guionistas do ‘Saturday Night Live’ não teriam imaginação para isto.
“Há 40 anos que os EUA querem atacar o Irão e ninguém atacou por alguma razão. Não conseguiram ganhar no Afeganistão… o Irão é 10 vezes maior. Se puserem botas no chão, vai ser um novo Vietname”, disse ao JE o analista Mário Martins.
Entretanto, os EUA perderam o seu porta-aviões na região, o Gerald Ford. “É um golpe duro, ficam bastante limitados nas opções de ataque e de suporte. Os EUA arriscam-se a perder uma guerra porque uma lavandaria pegou fogo”, destaca.
Mário Martins sublinha que o Irão está a deixar passar petroleiros com contratos negociados em yuans. Se os restantes países do Golfo Pérsico começarem a adotar a moeda chinesa nas suas transações, o petro-dólar arrisca-se a perder força. “Se os EUA não conseguem defender países do Golfo Pérsico, a possibilidade de o petrodólar acabar é grande. Aí não há dinheiro que pague 39 triliões de dólares de dívida”.
Opresidente norte-americano já garantiu que não tinha planos para colocar botas no chão.
Uma ilha, um porto e um estreito (que não o de Ormuz) são agora os pontos principais de exportação de petróleo do Médio Oriente, perante o encerramento do estreito de Ormuz pelo Irão, por onde passava 20% do petróleo e gás mundiais.
Do lado do Irão, há a ilha de Kharg no Golfo Pérsico, por onde passam 90% das exportações de petróleo do país, tornando-a vital para a economia do país. A ilha recebe petróleo de três campos que é depois transportado por oleodutos submarinos até centros de processamento em terra antes de ser exportado.
Mais há mais novos pontos nevrálgicos. “Para os produtores do Golfo Pérsico, se ambos os corredores alternativos de exportação foram simultaneamente suprimidos, a capacidade de exportação da região vai colapsar totalmente”, segundo a Rystad referindo-se a Fujairah e a Bab el-Mandeb.
Nos Emirados Árabes Unidos, o porto de Fujairah, que fica no golfo de Omã, não depende do Irão, ficando para cá do estreito de Ormuz, mas está exposto aos ataques iranianos.
Depois, há o estreito de Bab el-Mandeb entre o Iémen na Península Arábica e o Djibouti e Eritreia em África. Com apenas 26km de distância na sua parte mais estreita, faz a ligação entre o Mar Vermelho e o Golfo de Aden, e o oceano Índico. Um ataque dos hutis aqui pode contribuir ainda mais para o disparo nos preços.
O pipeline para Fujairah, assim como o pipeline saudita East-West para o porto de Yanbu coloca 6,5 milhões de barris diários a salvo das mãos do Irão.
Antes da guerra, o Médio Oriente exportava 21 milhões de barris por dia, mas esse valor caiu 40% para 12,5 milhões de barris em apenas duas semanas.

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