Preparar relatórios e projeções financeiras ou avaliar os riscos em projetos imobiliários. Processos que atualmente podem ser feitos de forma mais rápida com a utilização da Inteligência Artificial (IA). Contudo, esta vertente económico-financeira, à semelhança de outras áreas de atividade, deve ser monitorizada pelo olhar humano.
No caso do setor imobiliário, as consequências desta ausência humana podem resultar em prejuízos para quem pretende investir.
“Um investidor que acredite num estudo feito por uma empresa que usa a Inteligência Artificial abre portas a que algo corra mal. E isso já está a acontecer”, alerta, ao Jornal Económico, João Sanches, diretor de real estate and innovation, da consultora EY. Até porque já existem maneira de detetar se alguns relatórios foram feitos por Inteligência Artificial.
“Já começa a haver algumas litigações no mercado quando isso acontece”, refere.
Por isso, defende que é preciso criticidade analítica neste processo. “Se acreditar só no que a ferramenta faz, há consequências. Imaginemos que o investidor espera um retorno de 10% a 15%, mas vai ter um prejuízo com base no estudo, quem é o responsável? A ferramenta de IA ou a empresa que fez o relatório?”, questiona.
Como tal, considera um risco o uso indevido deste tipo de tecnologia sem ter peritos a analisar os resultados.
“A Inteligência Artificial tem uma base científica, mas os dados que dá são muito importantes para que depois os resultados sejam bons”, afirma.
Para isso, é necessário ter pessoas profissionais que usem as ferramentas e analisem criticamente esses mesmos resultados.
“Se acreditarmos só na ferramenta e nos resultados, as coisas vão correr mal”, salienta.
No plano de viabilidade económica para o setor da construção a inteligência artificial já consegue produzir os modelos, mas João Sanches, realça que esta situação ainda vai demorar tempo até ser efetivada, porque requer legislação.
“Não vamos pôr um robô a construir uma casa sem legislação própria”, sublinha, acrescentando que a Inteligência Artificial Artificial vai promover aquilo que já se procura há muito tempo, que é a industrialização da construção.
Por outro lado, estudos de viabilidade económica de um determinado imóvel que demoram semanas a serem feitos vão ser acelerados com a IA.
“Conseguimos perceber rapidamente para um determinado terreno que tipo de imóvel é mais rentável construir”, diz, explicando que esse processo cruza o Plano Diretor Muncipal (PDM), e dados como o valor do metro quadrado e de construção, que permitem aos investidores saber se fazem ou não um projeto naquele terreno.
“Investidor que acredite em estudo feito por empresa com IA corre riscos”
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Tecnologia pode ser usada em relatórios financeiros, mas com olhar humano. “Se o investidor tiver prejuízo a culpa é da ferramenta ou da empresa?”, questiona responsável da EY.