Orelatório recente da Comissão Europeia que alerta para uma sobrevalorização de 35% das casas em Portugal é desvalorizado pelo setor imobiliário.
“O relatório não assenta em dados concretos de transações reais — como preços efetivamente contratados nas rendas ou valores pagos nas escrituras — mas sim em indicadores agregados e médias estatísticas”, diz ao JE, Manuel Maria Gonçalves, CEO da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII).
Como tal, defende que a leitura de que as casas em Portugal estão 35% acima do preço justo não é correta.
“Este número resulta da diferença entre o preço de mercado e o preço estimado pelos modelos econométricos — e esses modelos partem do pressuposto de que o mercado estaria em equilíbrio se a oferta e os rendimentos fossem mais elevados”, salienta.
O CEO acrescenta que no caso de Portugal, estes indicadores “são naturalmente distorcidos pela realidade salarial nacional”, onde quase dois milhões portugueses recebem o salário mínimo.
“Em 2022, metade da população tinha um salário base inferior a 818 euros, o que faz subir artificialmente o rácio preço/rendimento, sem que isso signifique uma bolha de preços”, refere.
O estudo de Bruxelas mede a relação entre os preços das casas, os rendimentos médios e os custos de arrendamento.
Indicadores que são utilizados de forma homogénea para todos os países europeus, mas que no entender do CEO da APPPI, não refletem a especificidade da economia e do mercado habitacional português.
“O que o estudo mostra não é uma sobrevalorização especulativa, mas sim um desequilíbrio estrutural entre a procura e a oferta”, realça.
Casas estão sobrevalorizadas? Dados de Bruxelas “são distorcidos”
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Relatório da Comissão Europeia diz que a habitação em Portugal está sobrevalorizada em 35%. Promotores indicam que o documento não considera a realidade salarial do país, onde quase dois milhões recebem o salário mínimo.