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Canudo dá mais emprego e mais salário

Os licenciados ganham em média mais 28% do que quem tem secundário e os mestres mais 49%. A disparidade salarial é grande dentro de cada área de estudo e trabalho. TIC e saúde são as campeãs na remuneração.

Mais estudos, melhor salário. O licenciado ganha mais do que o jovem que tem o ensino secundário e o mestre ganha mais do que o licenciado. Esta é uma das principais conclusões do estudo “Ensino Superior e emprego jovem em Portugal: tendências, resultados e comparações internacionais”, divulgado, ontem, pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.
Luís Catela Nunes (coordenador), Pedro Reis e Teresa Thomas acompanharam as trajetórias salariais de quatro gerações de recém-licenciados, formados já depois da reforma de Bolonha, que encurtou a duração das licenciaturas. Concluíram que em todos os grupos e níveis de escolaridade, os salários reais aumentam com os anos no mercado de trabalho. O ritmo mais acelerado verifica-se na remuneração do grau mais elevado (mestre).
Segundo o estudo, em comparação com os trabalhadores que se ficaram apenas pelo ensino secundário, os licenciados ganham, em média, mais 28% e os mestres mais 49%.
Os salários médios dos mestres excedem os dos licenciados em quase todas as áreas de estudo. Os cursos de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) são os campeões da remuneração em Portugal.Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) é a cereja no topo do bolo tanto para o licenciado como para o mestre.
Os investigadores põem, no entanto, a nu uma enorme disparidade salarial dentro de cada área de estudo. Nas TIC, por exemplo, a diferença atinge três vezes. Enquanto os 10% mais bem pagos ganham 28 euros/hora, os 10% pior pagos ganham 9 euros/hora.
Vários fatores podem contribuir para explicar esta realidade. Desde logo, o “desajuste entre a educação e o emprego”. Porém, os investigadores não estão inclinados para que seja a principal fonte de dispersão salarial. Os dados do Inquérito ao Emprego de 2024 (INE, 2025) negam esse desajustamento. De acordo com 70% dos trabalhadores, o seu nível de qualificação corresponde aos requisitos do emprego. Apenas 16% revela pouca ou nenhuma correspondência entre as duas variáveis. A segunda explicação pode estar relacionada com a perceção dos empregadores quanto à qualidade da educação. A reputação da instituição de ensino superior conta e pode influenciar os resultados salariais. Tal como as caraterísticas do indivíduo, as suas capacidades e competências pessoais ou as preferências profissionais.
O estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos confirma aquilo que é a vox populi:. Estudar compensa, mesmo. Não só ao nível dos salários, como nas oportunidades de emprego.
Os diplomados tendem a conseguir empregos de melhor qualidade e maior autonomia. Também aqui, o mestrado está no topo da pirâmide, garantindo a taxa de emprego mais elevada:88% entre um a dois anos após o curso e 93% ao fim de cinco anos. Em linha com a média da União Europeia. Já nas licenciaturas, a taxa, embora convirja com cinco anos de experiência para o mesmo patamar de emprego, está bem mais baixa para quem inicia a carreira.
Os investigadores também olharam para os estudos superiores e a obtenção do diploma numa perspetiva puramente financeira e concluiram que se trata de um investimento com retorno. A relação benefício‑custo, que revelam, para Portugal é muito elevada comparativamente à média europeia. Por cada euro investido no ensino superior, o retorno é de 13,7 euros — 68% acima da média dos países da UE, que é de 8,2 euros. Não obstante, existe um problema relacionado com os contextos sócio-económicos de mais baixos rendimentos. Para os jovens daí provenientes, os custos são “um obstáculo” e o acesso barrado.
Apesar das dificuldades, a percentagem de jovens adultos com estudos superiores quadruplicou em Portugal nos últimos 25 anos. Passou de 11% no final da década de 1990, para 43%, em 2024, aproximando o país da média da União Europeia (44%). Nesse ano, mais de 100 mil pessoas concluíram um curso superior, estabelecendo um recorde absoluto. Para um país que há 50 anos era analfabeto, estes dados são indiscutivelmente uma história de sucesso.

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