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ASF lança Observatório da Poupança para a Reforma: só 28% dos portugueses têm produtos de longo prazo

A insuficiência de recursos financeiros é o principal motivo apontado por quem não poupa (55%), seguindo-se o facto de nunca ter pensado no assunto ou de considerar prematuro fazê-lo (27%). Entre os que não poupam, 17% têm intenção de contratar um produto, e 58% destes preveem fazê-lo nos próximos dois anos. Outros 24% admitem essa possibilidade, mas com incerteza.

A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) apresentou esta terça-feira o Observatório da Poupança de Longo Prazo para a Reforma, que revela que apenas 28% dos portugueses detêm pelo menos um produto de poupança de longo prazo para a reforma, apesar de quase metade (49%) considerar que se deve começar a poupar antes dos 30 anos.

Os dados constam do primeiro inquérito à população realizado no âmbito do Observatório, segundo o qual 45% dos inquiridos poupam ativamente para a reforma. Este grupo inclui os 28% que têm produtos específicos (PPR, fundos de pensões, certificados de reforma ou produtos mutualistas) e os 17% que, sem os deter, dizem poupar para esse fim.

A insuficiência de recursos financeiros é o principal motivo apontado por quem não poupa (55%), seguindo-se o facto de nunca ter pensado no assunto ou de considerar prematuro fazê-lo (27%). Entre os que não poupam, 17% têm intenção de contratar um produto, e 58% destes preveem fazê-lo nos próximos dois anos. Outros 24% admitem essa possibilidade, mas com incerteza.

A poupança para a reforma está associada ao rendimento e à escolaridade: 55% dos que poupam têm ensino superior (38% na população em geral) e só 23% vivem em agregados com rendimento até 1.500 euros mensais (39% no total). Na análise estatística, a situação profissional é o fator com maior capacidade discriminante e, entre os trabalhadores, a satisfação com a situação financeira. Entre os trabalhadores mais satisfeitos, 69% poupam para a reforma, contra 45% no total da população.

A escolaridade pode compensar em parte uma perceção financeira menos favorável: 60% dos trabalhadores com menor satisfação financeira, mas com ensino superior, continuam a poupar.

Entre os jovens adultos, apenas 17% têm produtos de poupança de longo prazo, embora 69% considerem que se deve começar a poupar antes dos 30 anos.

O acompanhamento das poupanças é irregular: uma em cada quatro pessoas não acompanha as suas poupanças de longo prazo, e 50% consultam a evolução pelo menos uma vez por ano.

Na escolha dos produtos, 35% dos inquiridos indicam a segurança do investimento (garantia de capital) como critério mais importante, seguindo-se a confiança na entidade (17%) e a rendibilidade (11%). A perceção de custo-benefício dos produtos é moderadamente positiva (6,9 pontos em 10). Entre quem tem PPR, 34% não sabem qual o tipo que possuem. Os PPR são contratados maioritariamente através de um banco (80%) e de forma presencial numa agência (82%).

A confiança dos não reformados no rendimento que terão na reforma é de 5 pontos, numa escala de 1 a 10. Já a importância atribuída aos benefícios fiscais na decisão de poupar é de 7,7 pontos, e a de um plano de pensões no contexto profissional de 7,6.

Entre os reformados, 89% indicam a pensão da Segurança Social como principal fonte de rendimento. Mais de metade (53%) diz que teria sido importante poupar mais, mas que não foi possível, e 24% admitem que o poderiam ter feito. Cerca de 61% referem uma diminuição do nível de vida após a reforma.

O Observatório foi apresentado numa sessão em Lisboa que contou com a abertura do presidente da ASF, Gabriel Bernardino, e o encerramento do administrador com o pelouro da Literacia Financeira, Diogo Alarcão. Pedro Coelho, da NOVA Information Management School (UNL), apresentou a metodologia e as fontes de informação, Eduardo Farinha Pereira, conselheiro técnico do Conselho de Administração, os objetivos e a visão estratégica, e Lucélia Fernandes, coordenadora do Gabinete de Literacia Financeira, os conteúdos e funcionalidades e os resultados do inquérito.

O projeto insere-se na prioridade estratégica 2 do Plano Estratégico da ASF para 2026-2028, dedicada a catalisar a resiliência social e a proteção do cidadão. A ASF identifica três contributos do Observatório: dar a conhecer a dimensão, a evolução e o desempenho do mercado de poupança complementar para a reforma; acompanhar o envelhecimento, a idade de reforma, a adequação das pensões e a experiência dos reformados; e disponibilizar, em formato digital e de acesso público, informação que apoie iniciativas de literacia financeira.

Taxa de poupança abaixo da média europeia

O Observatório reúne também dados de contexto e do mercado. A taxa de poupança dos particulares em Portugal foi de 12,2% no quarto trimestre de 2025, face a 13,9% na União Europeia. O índice de dependência de idosos deverá atingir 68,6% em 2050, acima da média europeia (55,2%), e 20,8% dos idosos estavam em risco de pobreza ou exclusão social em 2025.

Em 2024, o valor médio anual das pensões da Segurança Social (velhice, sobrevivência e invalidez) foi de 7.665 euros, abaixo do limiar de risco de pobreza, fixado em 8.679 euros.

Os ativos dos regimes complementares de segurança social ascendiam a 33,2 mil milhões de euros em 2025, o equivalente a 10,8% do PIB, embora uma parte relevante permaneça concentrada em regimes profissionais resultantes de instrumentos de regulamentação coletiva de trabalho. O 2.º pilar (profissionais) concentrava 50,1% e o 3.º pilar (individuais) 49,9%, com predomínio dos PPR sob a forma de seguros. As contribuições totalizaram 3.568 milhões de euros, 81,2% dos quais para produtos individuais, e os benefícios pagos somaram 2.909 milhões, dos quais 65,7% de produtos individuais. Havia mais de 2,3 milhões de subscritores e 329.015 beneficiários no final de 2025, com 23 entidades no mercado: 16 seguradoras do ramo Vida e sete sociedades gestoras de fundos de pensões.

A rendibilidade mediana a dez anos foi de 0,9% nos PPR seguros ligados, 2,0% nos seguros não ligados e 1,0% nos PPR fundos de pensões, abaixo da inflação média de 2,1% no mesmo período. Os títulos de dívida pública e equiparados pesavam 37,5% na carteira dos fundos fechados e 46,6% na dos PPR sob a forma de seguros.

A rendibilidade mediana a dez anos foi de 0,9% nos PPR seguros ligados, 2,0% nos seguros não ligados e 1,0% nos PPR fundos de pensões, abaixo da inflação média de 2,1% no mesmo período. Os títulos de dívida pública e equiparados pesavam 37,5% na carteira dos fundos fechados e 46,6% na dos PPR sob a forma de seguros.

A ASF ressalva que os dados estatísticos do Observatório incidem apenas sobre os produtos de poupança para a reforma abrangidos pelo seu âmbito de supervisão.

O inquérito foi feito por entrevista telefónica a 801 residentes com 18 ou mais anos, entre 10 de dezembro de 2025 e 13 de fevereiro de 2026, com margem de erro de 3,5 pontos percentuais.