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Andy Burnham enfrenta ‘revolta’ das autonomias

Dois meses depois de tomar posse e perante uma imensidão de problemas, o primeiro-ministro é acusado à direita e à extrema-direita de ser o responsável pela crise constitucional em curso.

O novo primeiro-ministro britânico, o trabalhista Andy Burnham, deu-lhes todas as pistas: insistiu na descentralização como alternativa ao poder centrifugador de Londres, defendeu as vantagens da determinação regional face à capita e ensaiou mesmo transferir o seu gabinete da tradicional Downing Street para uma qualquer rua de Manchester, onde é conhecido como o ‘Rei do Norte’. Resultado: Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte juntaram-se – num contexto em que pela primeira vez na história moderna as três regiões são governadas por partidos independentistas – e exigiram que o governo britânico tratasse de iniciar o processo de auscultação popular sobre a matéria, via referendos.
Isso não vai acontecer – o atual governo não tem qualquer mandato para iniciar o processo e Burnham não terá com certeza nenhum interesse em passar para a história como uma espécie de traidor do Reino Unido – mas as movimentações dos três partidos puseram a claro que a unidade do Reino não é um dado adquirido. Para todos os efeitos, é mais um problema a acrescentar ao extenso rol de dificuldades por que passam todos os quatro (os três citados mais a Inglaterra), e onde constam a inflação (3,1%), os juros da dívida soberana (5,37% para as yelds a dez anos), a própria dívida soberana (94,1% do PIB), o défice das contas públicas (4,2%), a perspetiva de um crescimento muito lento (entre 0,9% e 1%), a erosão salarial, a desarticulação do Estado social (principalmente na saúde), a queda das exportações (1,8% em 2025) e por aí adiante.

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