Portugal, Itália, Grécia e Espanha (Spain em inglês), serviram para a criação de um grupo que levou a desagradável designação de PIGS (porcos) numa altura em que as dívidas soberanas dos quatro países do sul da Europa passavam por dificuldades em encontrar investidores suficientemente suicidários para colocarem dinheiro nas mãos daqueles Estados (e dos seus empresários). A crise do subprime (da exclusiva responsabilidade do sistema bancário norte-americano) estendia metástases a toda a Europa, mas a fragilidade das estruturas económicas dos países do sul colocava-os a centímetros do abismo – no caso português, José Sócrates deu o passo em frente!
Algures no tempo, o presidente do Eurogrupo à época, o neerlandês Jeroen Dijsselbloem, chegou a dizer que “não se pode gastar todo o dinheiro em mulheres e álcool e, depois, pedir ajuda“. Eram os PIGS, os ‘feios, porcos e maus’, para usar o título de um excelente filme de Ettore Scola.
Uma década volvida, a vingança vai sendo servida fria: os PIGS apresentam contas públicas mais saudáveis e crescimentos económicos mais robustos que, por exemplo, a Alemanha, a França e o Reino Unido – outrora os motores do crescimento do velho continente. Cúmulo do cinismo, no caso do Reino Unido e da França, analistas políticos e economistas destacados falam cada vez com mais insistência na possibilidade de aquelas economias terem de recorrer aos bons auspícios das instituições de Bretton Woods, onde pontifica, entre outras, o Fundo Monetário Internacional.
A vingança dos ‘feios, porcos e maus’
Crescimento : Apodados de PIGS, os países do sul da Europa demonstram um melhor desempenho que os ‘velhos’ motores do desenvolvimento do continente, Reino Unido, França e Alemanha incluídos.
