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“A I.A. vai aumentar muitíssimo a eficiência e permitir dar mais atenção a algumas áreas ”

Bruno Ferreira acredita que a adoção de ferramentas de Inteligência Artificial (I.A.) será inevitável e acredita que estas soluções vão permitir apoiar melhor os clientes. A PLMJ acaba de lançar o Buzz Legal, um novo serviço nesta área, com a coordenação da diretora de Inovação Inês Setil, que se juntou a esta entrevista.

A situação política do país continua uma incógnita. Que cenários é que consegue prever?
Sou incapaz de fazer previsões. O meu desejo é que o resultado seja o mais claro possível. Acho que para o nosso país e para o futuro, quer da nossa sociedade, quer da nossa economia, era bastante vantajoso que isso existisse, e que existisse uma demonstração, como já temos vindo a demonstrar noutras ocasiões, de que somos uma democracia moderna e madura e que é capaz de existir quer continuidade, quer transição. Não tem acontecido aquilo que temos visto noutros países em que têm existido problemas na transição de um governo para o outro. Acho que isso é algo que é muito positivo para os investidores, na forma como olham para Portugal. Acho que o essencial é que haja essa tal ideia de estabilidade que não é desmentida pelo facto de os governos irem mudando. É confirmada pelo facto de existir uma serenidade nessa mudança que possa vir a existir.

 

Mesmo que o próximo Governo dure pouco tempo?
O desejável era que ele durasse mais tempo. Mas eu acho que mesmo durando pouco tempo e nós vemos isso, por exemplo, no desempenho da economia espanhola, que acaba por, apesar das dúvidas quanto ao governo e à existência de eleições, tem vindo a ter um desempenho em linha com economias da mesma dimensão. Acho que o mais importante é que haja serenidade na mudança ou na continuidade, parece-me ser aquilo que é mais prezado pelos investidores e que é um dos nossos selling points fundamentais para os investidores estrangeiros.

 

As previsões para este ano apontam para um crescimento mais modesto, por assim dizer, da economia face ao último ano. Nesse contexto, algumas áreas vão
ter mais trabalho, como reestruturações, insolvências ou operações com malparado?
O que é interessante no nosso trabalho nessa área é que, felizmente, envolve trabalhar em reestruturações que visam aproveitar as oportunidades económicas que possam existir num negócio, por exemplo, que possa ter corrido mal. Há esta ideia de que o aumento das insolvências só tem aspetos negativos. É claro que as insolvências têm aspetos negativos porque afetam também os trabalhadores. Mas uma economia que consiga rapidamente lidar com essas empresas que estejam em má situação, recuperá-las, fazer um turnaround e permitir que outros investidores as desenvolvam e explorem de outra forma mostra um dinamismo e é algo bastante positivo para uma economia.



Acha que, em Portugal, temos o risco de uma “zombificação” do tecido empresarial, com empresas ‘zombie’ que vão sobrevivendo mas que não são competitivas nem criam grande valor acrescentado.

Não tenho evidências disso. Até vejo bastante dinamismo em determinadas indústrias em Portugal, nomeadamente este tema das energias renováveis e da cadeia de fornecimento para tudo o que tem que ver com as energias renováveis, desde a construção de parques eólicos e parques solares. Quer em Portugal, quer de empresas portuguesas que trabalham no estrangeiro e que são muito bem-sucedidas, há evidência de que há essa capacidade. Tudo na economia é dinâmico e podem existir empresas ou sectores de atividade que não tenham este crescimento, como o sector da energia. Mas não tenho evidências de que seja algo generalizado na economia portuguesa.


Em termos da vossa equipa, esperam alterações ao longo deste ano?
Não temos planos concretos; estamos sempre atentos ao que se passa no mercado. Achamos que a dimensão é, de facto, uma vantagem e sempre que existem pessoas com qualidade, gostamos de contar com elas para trabalhar aqui connosco. Mas creio que estamos mais ou menos estáveis em termos de número de pessoas.

 

E o impacto da IA a esse nível? Não há redução
de pessoas?
Não vai haver necessidade de contratar pessoas com outro perfil, mais tecnológico?
Relativamente à inteligência artificial, sou um otimista. Acho que é uma ferramenta extraordinária que vai aumentar a eficiência muitíssimo. E vai fazer com que necessariamente passe a existir mais tempo disponível para trabalhar em áreas e em matérias em que não conseguíamos trabalhar ou prestar os serviços de uma forma que até agora não conseguíamos fazer.

 

Sobre a polémica em torno
da forma como a Justiça
tem gerido alguns casos (Operação Influencer e operação da Madeira), que fez com que tivéssemos três arguidos detidos quase três semanas. É aceitável ter alguém preso tanto tempo?
Não vou comentar o caso. Acho que existem temas de perceção quer da parte da política à Justiça, quer da justiça à política. Existem realidades que têm de ser compreendidas em termos da dimensão da informação que está a ser analisada para um caso concreto. O debate podia ser mais transparente quanto a essa realidade e às dificuldades que estão envolvidas no trabalho realizado pelo Ministério Público, pelos tribunais e pelos advogados que estão a trabalhar nesse caso concreto. Acho que é preciso sobretudo calma e que as alterações legislativas não sejam feitas imediatamente na sequência destes casos. Porque eles até podem ser pouco representativos do que acontece em geral na Justiça. O tempo será bom conselheiro. Falta, em Portugal, uma análise mais desprendida e técnica do funcionamento da Justiça.