O procurador-geral da Venezuela, Tarek Saab, pediu ao governo e às forças armadas que cooperem no combate ao que chamou "terrorismo de Estado" dos Estados Unidos, cuja operação de comandos no país e a captura do seu presidente abalaram aliados e adversários.
Perto dali, a ministra dos Negócios Estrangeiros da Colômbia, Rosa Villavicencio, afirmou esta terça-feira que a Colômbia deseja manter os canais diplomáticos abertos, mas disse que o governo não coloca de lado um confronto militar com os Estados Unidos em caso de "agressão contra o nosso país". "Para isso, temos um exército muito bem treinado", disse Villavicencio em conferência de imprensa. Embora tenha salientado que o governo se opõe à intervenção, sublinhou que os Estados soberanos têm o direito de se defenderem.
A declaração do procurador-geral da Venezuela choca com indicações em contrário deixadas nos últimos dias pela nova presidente do país, Delcy Rodríguez, que se preocupou, desde que assumiu o cargo há dois dias, em fazer baixar a tensão depois da intervenção dos Estados Unidos e da prisão do seu antecessor, Nicolás Maduro. Mas o certo é que a estrutura do poder deixada para trás por Maduro está intacta, mesmo ao nível da cúpula: Delcy Rodríguez era até há dois dias sua vice-presidente. E os ‘falcões’ do regime continuam a ocupar as mesmas pastas ministeriais e os mesmos cargos na hierarquia do Estado venezuelano.
Do seu lado, o governo mexicano vê-se perante um delicado equilíbrio: condenar veementemente a operação, mas, ao mesmo tempo, intensificar a cooperação bilateral para evitar que o México se torne o próximo alvo de Trump. No sábado, horas depois da ação dos EUA, Trump mencionou a possibilidade de uma ação militar no México, dizendo que os cartéis de drogas estão "no comando" do país e que "algo terá que ser feito com o México".
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, está assim numa verdadeira ‘ratoeira’. “Rejeitamos categoricamente a intervenção nos assuntos internos de outros países”, disse. “A história da América Latina é clara e incontestável: a intervenção nunca trouxe democracia, nunca gerou bem-estar, nem estabilidade duradoura”. Mas, acreditam os analistas, nos bastidores, o México tratará provavelmente de se aproximar de Washington, na esperança de que uma cooperação bilateral mais estreita em segurança impeça agressões semelhantes às que ocorreram na Venezuela. Ao longo do último ano, Claudia Sheinbaum conseguiu manter esse equilíbrio: defendeu a soberania do México, lutou com algum sucesso contra as tarifas de Trump e fez duas expulsões em massa para os EUA de supostos membros de topo de cartéis de droga – ao mesmo tempo que lançou uma ofensiva militar contra o famoso Cartel de Sinaloa.
“Seria uma catástrofe internacional”, disse o congressista mexicano Alfonso Ramirez Cuellar, um aliado próximo de Claudia Sheinbaum, ao comentar um eventual ‘raid’ norte-americano no território mexicano. “O mundo não pode viver sob a lei da selva.”
A alguns quilómetros dali, está Cuba.