“A segurança no Ártico continua a ser uma prioridade fundamental para a Europa e é crucial para a segurança internacional e transatlântica. A NATO deixou claro que a região do Ártico é uma prioridade, e os aliados europeus estão a reforçar a sua presença, atividades e investimentos para manter a segurança do Ártico e dissuadir adversários”, refere uma declaração conjunta de vários líderes europeus, entre eles o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer – que Portugal subscreve. Em comunicado oficial, o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, anunciou “que Portugal, em conjunto com os seus parceiros europeus”, subscreve o teor da declaração.
“A segurança no Ártico deve, portanto, ser alcançada de forma coletiva, em articulação com os aliados da NATO, incluindo os Estados Unidos, respeitando os princípios da Carta das Nações Unidas, nomeadamente a soberania, a integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras. Estes são princípios universais e não deixaremos de os defender”. Para o coletivo, “os Estados Unidos são um parceiro essencial neste esforço, enquanto aliado da NATO e através do acordo de defesa entre o Reino da Dinamarca e os Estados Unidos de 1951. A Gronelândia pertence ao seu povo. Cabe à Dinamarca e à Gronelândia, e apenas a elas, decidir sobre questões relativas à Dinamarca e à Gronelândia.
A declaração foi assinada inicialmente por Emmanuel Macron, Friedrich Merz, Giorgia Meloni, Donald Tusk, Pedro Sanchez, Keir Starmer e Mette Frederiksen. Segundo os líderes europeus, esta cooperação deve respeitar "os princípios da Carta das Nações Unidas, em particular a soberania, a integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras. Estes são princípios universais e não deixaremos de os defender", acrescentaram.
A primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen, que esteve em Paris esta terça-feira para participar na ‘Cimeira dos Dispostos’ (Ucrânia), congratulou-se com a declaração, mas também com o apoio do seu homólogo canadiano, Mark Carney, que também esteve em Paris. O primeiro-ministro neerlandês, Dick Schoof, também apoiou a declaração.
Países nórdicos tomam posição
Os países nórdicos afirmam, por seu turno, que a segurança do Ártico depende do respeito ao direito internacional. Numa declaração assinada pelos ministros das Relações Exteriores da Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia, lê-se que “como países nórdicos, Estados Árticos e aliados da NATO, estamos coletivamente comprometidos com a preservação da segurança, da estabilidade e da cooperação no Ártico. Todos nós tomamos medidas para aumentar a dissuasão e a defesa na região, inclusive por meio de novas capacidades, atividades, presença e maior consciência situacional. Apoiamos o aumento da presença e da vigilância da NATO na região. Aumentamos substancialmente os nossos investimentos em segurança no Ártico e estamos prontos para fazer ainda mais, em estreita colaboração com os Estados Unidos e outros aliados da NATO”.
“A segurança no Ártico baseia-se no respeito pelos princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas e do direito internacional, incluindo a inviolabilidade das fronteiras. O Reino da Dinamarca, incluindo a Gronelândia, é membro fundador da NATO e tem historicamente trabalhado em estreita colaboração com os Estados Unidos em matéria de segurança no Ártico, inclusivamente por meio do Acordo de Defesa entre os EUA e a Dinamarca de 1951, que oferece oportunidades para uma maior cooperação em segurança.
EUA não acreditam que Europa defenda na Gronelândia
Nos antípodas desta declaração, Stephen Miller, chefe de gabinete adjunto do presidente dos EUA para assuntos políticos, afirmou que não seria necessária uma intervenção militar para assumir o controlo da ilha, porque "ninguém vai lutar militarmente contra os Estados Unidos pelo futuro da Gronelândia". Em entrevista à CNN, Miller sugeriu que a Dinamarca não tem direito ao território ártico, uma antiga colónia dinamarquesa que permanece parte do reino.
Questionado sobre se uma ação militar contra a Gronelândia estava posta de parte, o chefe de gabinete respondeu: “Uma ação militar contra a Gronelândia? A Gronelândia tem uma população de 30 mil pessoas”, que na verdade são 57 mil, mas o ponto estava: para formar um exército não é muito. “A verdadeira questão é: que direito tem a Dinamarca de exercer controlo sobre a Gronenlândia? Qual é a base da sua reivindicação territorial? Qual é o fundamento para que a Gronelândia seja considerada uma colônia da Dinamarca?” E acrescentou: “Os EUA são a potência da NATO. Para que os EUA garantam a segurança da região do Ártico, protegendo e defendendo os interesses da NATO, obviamente a Gronelândia deve fazer parte dos EUA. E essa é uma conversa que teremos como país. Esse é um processo que teremos como comunidade entre nações.”
Segundo Miler, “não há necessidade de pensar sobre” uma operação militar na Gronelândia, acrescentando: “ninguém vai entrar em guerra com os EUA pelo futuro da Gronelândia. Isso não faz o menor sentido”.
A comissão de política externa dinamarquesa convocou uma reunião extraordinária do parlamento do país para a noite de terça-feira, a fim de discutir a relação do reino da Dinamarca com os Estados Unidos. Participarão da reunião o ministro das Relações Exteriores, Lars Løkke Rasmussen, e o ministro da Defesa, Troels Lund Poulsen.