Era a primeira ambição de António Costa quando chegou à presidência do Conselho Europeu, mas acabou por ficar soterrada na agenda do dia a dia. Agora, está de regresso. O alargamento da União Europeia volta a ser prioridade, por dois motivos centrais: com certeza por motivos altruístas – vamos acreditar nisso – de disseminação da democracia, do estado de direito e da justiça social; mas também por questões de defesa e segurança. Dado o estado de caos global que se vive por estes dias, não é fácil acreditar-se que o altruísmo é o imperativo primordial: a realpolitik tem razões que a razão só alcança com muito esforço.
Tendo passado esta semana pelo Porto para uma conversa com alunos da Universidade Católica, o presidente do Conselho Europeu referiu-se ao tema para deixar claro que as preocupações de segurança comum estão neste momento focadas no Ártico, devido às tentações expansionistas da atual administração dos Estados Unidos, e no flanco sul, ou sudeste, a região do bloco mais próxima do Médio Oriente. Um míssil iraniano que caiu no Chipre (mas que parece que veio do Líbano) não causou grandes danos, mas rebentou como uma bomba de fragmentação na sede da Comissão Europeia.
União Europeia: hoje somos muitos, amanhã seremos 31
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Haverá por certo algum altruísmo democrático no alargamento, mas o caos geopolítico que se vive atualmente no globo aconselha a que, por razões de defesa e segurança, o bloco ganhe dimensão.