Skip to main content

Guarda Revolucionária vence os moderados

Mais uma péssima notícia para o mundo que está suspenso no estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária ganha vida própria para lá do líder supremo e promete radicalizar o regime e a guerra.

Algures esta terça-feira, no meio de informações desencontradas sobre a guerra ou a paz no Irão, surgiu uma declaração da Guarda Revolucionária Islâmica que recordava a todos – iranianos incluídos – que a guerra não tinha acabado. Era o mesmo que dizer que o cessar-fogo há de chegar ao fim e o barulho dos canhões voltará. Mas era também, coisa que nem todos perceberam de imediato, uma declaração de que a Guarda Revolucionária está a partir de agora aos comandos do país. Para todos os efeitos, é uma péssima notícia, desde logo para os Estados Unidos – que não conseguem livrar-se do conflito a tempo e horas das eleições intercalares de novembro – mas de um modo geral para todo o globo, exangue de petróleo e seus sucedâneos.
A morte do anterior líder supremo, Ali Khamenei, colocou um fim ao governo de um homem só, o que estava previsto pela dupla Estados Unidos/Israel, mas, ao cabo de algumas semanas de confronto político interno, nem a ‘onda’ pela democracia chegou às praias do Irão – bem pelo contrário: o sentimento nacionalista aproximou os iranianos do regime teocrático – nem os elementos mais moderados conseguiram apoderar-se dos despojos de Khamenei, apesar de o terem conseguido substituir pelo próprio filho.
Fica agora claro que a Guarda Revolucionária Islâmica e os seus chefes de segurança ditam as regras da guerra e a estratégia da sua condução. O Irão deixou de ser o país de um homem só e, desse ponto de vista, Donald Trump tem razão: o regime já mudou. A chatice é que, aparentemente, mudou para pior.

Este conteúdo é exclusivo para assinantes, faça login ou subscreva o Jornal Económico