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Under the cover: o gozo de ir além da capa

O que leva uma pessoa a fechar os olhos, serenamente, em antecipação ao odor que o papel emana? A acariciar as páginas para lhes sentir a textura, a qualidade da impressão. Se sabe a resposta, então, é provável que já seja cliente da Under the cover, onde a revista é a grande estrela.

Pode o cosmopolitismo de uma cidade medir-se com a palma da mão? Há quem diga que sim, convocando a oferta cultural. Das galerias de arte aos museus, dos teatros aos cinemas, passando pelas livrarias e mesmo alfarrabistas como métrica para aferir o mundo que lhe corre nas veias. É tudo uma questão de soma. Kosmopolítes (cidadão do mundo; que se adapta e convive com muitas culturas) + ismo = cosmopolitismo. E de abertura, curiosidade, avidez de... mundo, precisamente. Lisboa não se furta a essa soma, mas sugerimos adicionar um local que não nos quer vender livros, embora os tenha nas suas estantes. Aqui, na Under the cover, a estrela são as revistas, expostas como obras de arte. Com espaço para respirar e que pedem para ser folheadas. Para irmos além da capa, honrando o nome e o conceito deste espaço.
Há dez anos de porta aberta no nº 88B da rua Marquês Sá da Bandeira, junto à Fundação Gulbenkian, em Lisboa, quiçá pode ainda passar despercebida aos mais incautos. Mas é há muito um reduto dos fãs do papel, dos que não resistem a ter o mundo na palma da mão. A sentir-lhe o odor, a textura. A devorar primeiro as imagens e só depois avançar para o texto, saboreando cada instante. Como quem se delicia a comer um pastel de nata à colher, em doses homeopáticas, para que o momento seja de deleite, num gesto contrário à sofreguidão que lhe vai na mente.

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