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Uma coleção de arte que mede o pulso do nosso tempo

Há mais de 40 anos que José Carlos Santana Pinto norteia a sua existência pelo colecionismo. Pela ideia da arte como interpelação. “O belo tem de fazer perguntas”, diz. Mas não se pense que o “belo” que o move é linear, óbvio, figurativo. É muitas vezes perturbador. Como a vida.

Lembra-se de abrir a caixa do correio? Essa ‘coisa’ física com papel dentro? Cartas, contas, postais, folhetos publicitários... O que lhe ocorreria se, um dia, recebesse um postal apenas com uma frase: “Continuo vivo.”? O ponto final servindo de garantia. De afirmação. De prova de vida. José Carlos Santana Pinto, colecionador de arte contemporânea há mais de quatro décadas, nunca recebeu um desses míticos postais de On Kawara, sobrevivente japonês da Segunda Guerra Mundial, americano de adoção, que construiu toda a sua obra como uma homenagem humanista ao tempo de vida coletivo e individual. As centenas de postais e telegramas que enviou a amigos, conhecidos, marchands, galeristas, são testemunhos da sua abordagem da arte, do tempo e do espaço. Ou do espaço no tempo. Uma postura conceptual, reflexo de pensamento, informação pura, onde a emoção é praticamente inexistente. O mínimo para o efeito máximo. “I am still alive”. Statement. Do artista.

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