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Trump enfrenta contestação interna ao ‘dossiê Venezuela’

O Congresso está a rodear o presidente de um cerco em redor das decisões da Casa Branca, ao mesmo tempo que o secretário de Estado Marco Rubio tenta um discurso menos radical.

Depois de dias de intensa tensão sobre a questão da Venezuela, o secretário de Estado Marco Rubio entendeu, em diversas declarações públicas, que a Casa Branca devia fazer um esforço para diminuir o teor radical da administração – o que, aliás, fez pessoalmente. Por outro lado, o Congresso – que se achou ultrapassado depois de Donald Trump ter escondido a operação que levou à captura de Nicolás Maduro, “para quem não houvesse fuga de informação” – tomou a matéria em mãos.
Neste contexto, o Senado vai analisar uma resolução que impediria o presidente de tomar novas medidas militares contra a Venezuela sem autorização do Congresso. O Senado tentou introduzir uma série de medidas sobre poderes de guerra desde que a administração intensificou a pressão militar sobre a Venezuela, a partir de setembro. Os republicanos bloquearam todas as medidas, mas a última votação foi de apenas 49 a 51, quando a maioria dos republicanos é de 53 lugares. Ou seja, houve dois senadores do partido de Trump que se juntaram aos democratas para apoiar uma resolução que não passou, numa altura em que o executivo dizia a que não havia planos para um ataque ao território venezuelano.
Depois do que aconteceu – e da ‘desculpa’ da fuga de informações, que implica uma desconfiança da administração face ao Congresso – vários congressistas acusaram Trump de enganar o Congresso, incluindo democratas publicamente e alguns republicanos nos bastidores, segundo a imprensa norte-americana. “Conversei hoje com pelo menos dois republicanos que não votaram a favor da resolução, mas que estão reconsiderando”, disse o senador Rand Paul, republicano do Kentucky e coautor da resolução, citado pela imprensa. “Não posso garantir como vão votar, mas pelo menos dois estão a considerar a proposta”.
A aprovação pelo Senado seria uma derrota da administração, mas, para tornar-se lei, teria de ser aprovada pela Câmara dos Representantes, onde a maioria republicana é um pouco mais robusta (219-213). Mais difícil ainda, se qualquer resolução contra as iniciativas de Trump passasse no Congresso, haveria um provável veto de Trump, o que exigiria de seguida uma praticamente impossível maioria de dois terços em ambas as câmaras para tomar força de lei. Trump afirmou que desejava aumentar o orçamento militar um bilião para 1,5 biliões de dólares para 2026 e disse que a presença dos Estados Unidos na Venezuela pode “demorar anos”.

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