Skip to main content

Tomás Taveira queria homenagear os Descobrimentos

Arquiteto apresentou a proposta no início da década de 90, mas não foi aprovada. Cinco edifícios no centro de Lisboa ficaram ao abandono, dois deles foram demolidos e os demais identificam-se facilmente na Av. Fontes Pereira de Melo pelos graffitis nas fachadas.

As dobragens do Cabo Bojador por Gil Eanes, do Cabo da Boa Esperança por Bartolomeu Dias ou a chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil foram alguns dos marcos históricos da Era dos Descobrimentos. Foi com base neste pressuposto que o arquiteto Tomás Taveira apresentou uma proposta no início da década de 90 do século passado para um quarteirão situado na Avenida Fontes Pereira de Melo, em Lisboa.
A ideia passava por um conjunto heterogéneo de construções, uma delas com semelhanças a uma chaminé de uma central nuclear.
O que seria “uma espécie de homenagem aos Descobrimentos”, como disse Tomás Taveira, citado pelo “Público”, acabou por se transformar num cabo das tormentas e a respetiva proposta foi rejeitada.
O conjunto de cinco edifícios ficou então abandonado até que, em 2004, com a autarquia de Lisboa liderada por Pedro Santana Lopes, foi autorizada a demolição de dois dos edifícios, ficando os restantes três, que permanecem (decrépitos) até aos dias de hoje.
No entanto, e ainda em 2004, tal como noticiou o “Público”, deu entrada um pedido de licenciamento para um complexo de escritórios, que se comprometia a manter as fachadas, portões e varandas dos três edifícios, bem como a construção de dois novos imóveis,
Contudo, a iniciativa acabou por não avançar, apesar de o município ter prometido outros projetos imobiliários para o mesmo local – apesar de as ambições nunca se terem comcretizado.
Sem um futuro definido, os três edifícios acabaram por ser alvo de uma intervenção visual – para chocar menos o olhar. Com a Câmara Municipal de Lisboa (CML) presidida por António Costa (2007), o quarteirão foi ‘grafitado’ pelos artistas brasileiros ‘Os Gémeos’, o italiano Blu e o espanhol Sam3.
A decisão gerou impacto e discussão; e aa autarquia justificou a decisão com uma forma de desencorajar atos de vandalismo.
Os ‘prédios dos graffitis’, como são conhecidos desde essa época, ganharam notoriedade internacional, chegando a ser considerados como um dos dez melhores exemplos internacionais de arte urbana, pelo jornal britânico ‘The Guardian’, em 2011. Apesar deste reconhecimento internacional, os edifícios continuaram a não ter rumo definido, apesar da zona privilegiada.

Este conteúdo é exclusivo para assinantes, faça login ou subscreva o Jornal Económico