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Bitcoin e software caem enquanto a rotação setorial continua

O Dow Jones, o índice de pequenas empresas Russell 2000 e o Stoxx 600 europeu fixaram novos máximos históricos esta semana, nos 52600, 3033 e 642,09 pontos, respetivamente. Também os semicondutores de Filadélfia ganham 100% desde o início do ano e voltaram esta semana a níveis recorde. Os bons resultados da Micron, divulgados na quinta-feira, contribuíram igualmente para impulsionar o setor dos chips, sobretudo devido à forte procura por memória e armazenamento associados à inteligência artificial (IA).

Quanto mais sobem os semicondutores, impulsionados não apenas pelo aumento dos volumes de vendas, mas também pela subida dos preços, mais parecem penalizar as empresas que investem massivamente em IA. Os investidores procuram agora aferir a capacidade dessas empresas monetizarem os elevados investimentos.
Há, assim, uma rotação do software, sobretudo nas empresas que têm maiores dificuldades em rentabilizar os elevados investimentos ou que recorreram mais ao endividamento. A Microsoft segue em mínimos desde novembro de 2023, em torno dos 350 dólares por ação, enquanto a Oracle perde mais de 20% desde o início do ano. O setor do software, nomeadamente o índice IVG, cerca de 123 empresas, recua 15% desde o início do ano, em claro contraste com a forte valorização dos semicondutores.
O final do semestre aproxima-se e a volatilidade foi uma constante ao longo destes primeiros seis meses. O petróleo duplicou entre o mínimo e o máximo do semestre, embora atualmente cote nos 73 dólares por barril. No início de janeiro, o Brent negociava nos 60 dólares e, no final de abril, ultrapassou os 120 dólares. Também o ouro registou movimentos extremos. Depois de negociar nos 5600 dólares por onça no final de janeiro, foi recuando à medida que aumentavam as expectativas de novas subidas das taxas de juro, caindo para os atuais 4000 dólares. A prata perdeu metade do seu valor desde janeiro. Ou seja, ouro e prata acompanharam a queda da BTC, enquanto o setor tecnológico vive movimentos extremos.
A volatilidade é cada vez mais uma característica dos mercados financeiros nos últimos meses. Estes sinais, somados a valorizações relativamente elevadas e ao eventual regresso da febre dos IPO, como a SpaceX, que na sua cotação máxima de 225,64 dólares por ação chegou a valer quase 3 biliões de dólares de capitalização bolsista, cerca de 160 vezes as suas receitas, têm vindo a aumentar a preocupação de alguns investidores.
Normalmente, os bull markets são travados por políticas monetárias restritivas dos bancos centrais. As expectativas de taxas de juro mais elevadas regressaram. Contudo, apesar de a Fed ter aumentado as taxas de juro de 0,25% para 5,5% entre 2021 e 2023, o mercado não sucumbiu, sobretudo devido ao forte impulso da IA. Erros políticos ou crises financeiras também podem espoletar quedas mais duradouras nos mercados.
O que é certo é que mesmo com a guerra, crise energética, Fed mais agressiva e dúvidas sobre investimento em IA, os investidores têm resistido. O principal risco continua a ser uma subida das taxas de juro. Todavia, se os lucros das empresas e a economia aguentarem, as quedas podem ser oportunidades de compra.

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