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Sector do azeite aposta na Índia para crescer

Acordo entre a UE e a Índia abre mercado de 1,47 mil milhões de consumidores às empresas portuguesas. Há que investir na promoção para desbloquear potencial, diz Centro de Estudos.

Até pode ser o próximo maná. O acordo assinado entre a Índia, um mercado com 1,47 mil milhões de consumidores, e a União Europeia é uma porta aberta para as empresas portuguesas de azeite. As tarifas sobre a importação do produto passarão de 45% para 0% no prazo de cinco anos.
“A previsão de crescimento é grande”, diz Manuel Norte Santo, presidente do CEPAAL - Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo, ao Jornal Económico (JE). O estudo “Acordo de Livre Comércio UE-Índia: Oportunidades para as empresas portuguesas”, em 2030, da AICEP avalia o mercado em 253 milhões de dólares (215 milhões de euros, ao câmbio atual).
“Sendo Portugal um grande produtor, importa antecipar este crescimento para conquistar quota face aos atuais e futuros exportadores”, afirma.
No fundo, é um caminho que tem de ser feito. O ponto de partida são uns insignificantes 250 quilos, cifra da comercialização de azeite de Portugal para a Índia nos primeiros 11 meses de 2025 (dezembro ainda não está apurado). O número é tão pequeno que não tem expressão no cômputo total de exportações nacionais. E o mesmo se pode dizer do consumo de azeite na Índia, que ronda, em média, 1.700 toneladas, o que equivale a cerca de 2% do consumo médio em Portugal.
São hábitos diferentes, é certo. Manuel Norte Santo lembra ao JE que, na Índia, o azeite não entrou pela via alimentar, mas sim, pelos cuidados pessoais e terapêuticos. “Numa cultura profundamente marcada por práticas de medicina alternativa, os óleos sempre tiveram um papel central e o azeite acabou por ganhar espaço, sobretudo, nesse contexto”. Este cenário, diz o presidente do CEPAAL, não exclui, no entanto, “um crescimento significativo”, já que “o azeite começa a ganhar reconhecimento pelos seus benefícios para a saúde”. E, uma vez que o mercado indiano é dominado por outros óleos alimentares, “o investimento em promoção e divulgação será determinante para desbloquear esse potencial”, aconselha. 
Portugal é o sexto maior produtor mundial, o terceiro maior exportador europeu e o país que mais produz azeite de maior qualidade a nível mundial:90% é azeite extra virgem. É esta força económica que hoje, 8 de maio, reúne no 9.º Congresso Nacional do Azeite, promovido pelo CEPAAL, em parceria com o Município de Moura, no Alentejo, onde decorre.
Manuel Norte Santo diz ao JE que a produção da campanha 2025/2026 deverá situar-se em torno das 160 mil toneladas, o que representa “um ajustamento face aos anos anteriores”. Embora o INE não tenha ainda publicado dados das exportações, o responsável considera “pouco provável que 2025 atinja os níveis excecionais de 2023 e 2024, quando foram superados os mil milhões de euros”.
Essa diferença, explica, “deverá resultar não tanto de uma queda acentuada nos volumes, mas, sobretudo, de um fator determinante: a descida dos preços do azeite face aos picos registados recentemente”.
Apesar disso, as perspetivas mantêm-se positivas. “Tudo indica, diz Manuel Norte Santo, que 2025 continuará a registar um desempenho forte, claramente acima da média histórica do setor”. Ou seja, menos impulsionado pelo efeito preço, sustentado por uma base produtiva “sólida” e por uma procura internacional “consistente”.

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