Skip to main content

Guerra e mau tempo afetaram contas dos CTT. Mas abril já trouxe melhorias

Menos lucro, custos a subirem mais do que as vendas num primeiro trimestre duro para os CTT. Mas abril já trouxe melhorias e as expectativas mantêm-se intactas, mesmo com maior risco.

Os estilhaços dos bombardeamentos e dos impactos dos mísseis no Médio Oriente atingiram as contas das empresas no primeiro trimestre do ano. Nos CTT, com dois efeitos: um, que obrigou a uma adaptação, mas que está já ultrapassado, foi a interrupção das cadeias de distribuição que passavam pela região; outro é a inflação, o aumento dos custos, e esse vai prolongar-se.
O lucro dos CTT caiu 17,6% no primeiro trimestre de 2026, face a igual período do ano passado, para 4,5 milhões de euros, enquanto os resultados operacionais recorrentes antes de juros e impostos (EBIT, na sigla em inglês) caíram 24%, para 15,3 milhões de euros.
As receitas cresceram 14,1%, para 329,4 milhões de euros, impulsionadas pelas Soluções de Comércio Eletrónico e pelo Banco CTT.
A operação foi pressionada pelo conflito de elevada intensidade no Médio Oriente, mas também pelo comboio de tempestades que afetou a Península Ibérica e, ainda, a introdução de nova regulamentação no comércio internacional. Os CTT explicam que a concentração anormalmente elevada da peak season em torno do Natal obrigou a custos adicionais de capacidade e distribuição, prolongando-se os efeitos até janeiro.
Por isso, os gastos operacionais cresceram 17,7%, para 292,6 milhões de euros, crescendo acima da evolução das receitas, pressionados pelos custos associados à operação logística e pelas medidas necessárias para assegurar os níveis de serviço durante os episódios climáticos extremos.
Foram “eventos conjunturais”, diz a empresa. Abril já mostrou sinais de recuperação. O tráfego do segmento Expresso e Encomendas acelerou para um crescimento homólogo de 29% e a margem operacional do negócio de comércio eletrónico começou a recuperar, saltando para cerca de 5,5%, depois de ter caído para 3,6% no primeiro trimestre.
O principal contributo para o crescimento da receita voltou a vir das Soluções de Comércio Eletrónico. É o motor do negócio. As receitas desta área aumentaram 34,8%, para 164,2 milhões de euros, já incluindo a consolidação da espanhola Cacesa. O tráfego do segmento de expresso, encomendas e correio (CEP, na sigla em inglês) cresceu 14,3% no trimestre e acelerou em abril para 28,6% em abril, em termos homólogos.
No Banco CTT, os depósitos aumentaram 10,6%, para 8.061 milhões de euros, enquanto a carteira de crédito subiu 15,7%. As receitas bancárias avançaram 8,8%, para 36,5 milhões de euros, sustentadas pela margem financeira e pelas comissões.
Este foi o último trimestre completo de João Bento como CEO, que liderou a empresa desde 2019 e foi agora substituído por Guy Pacheco, eleito em assembleia geral a 30 de abril. É a continuação do trabalho. A equipa mantém-se – o novo CEO era o administrador financeiro – e foi ela que definiu os objetivos para o novo ciclo. Incluindo a ambição de liderar no comércio eletrónico na Ibéria.

Este conteúdo é exclusivo para assinantes, faça login ou subscreva o Jornal Económico