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Sai a primeira fornada de mestres da Universidade de Lisboa em Xangai

ULisboa School, Shanghai University formará 62 mestres este ano. Primeiros diplomas são entregues para a semana. Vice-reitor olha para o futuro da parceria.

A outorga dos diplomas à primeira fornada de mestres pela Universidade de Lisboa a mais de 10 mil quilómetros do solo pátrio, na segunda-feira, 17, é uma data que fica para a história da instituição e dos envolvidos.
Pedro Silva Girão, que dirige a ULisboa School, Shanghai University, terá, provavelmente, o dia mais realizado desde abril de 2023. João Peixoto, vice-reitor da ULisboa, voa da capital e reafirmará in situ o firme compromisso luso nesta parceria.
“Queremos manter a porta aberta com a Ásia e com a China”, afirma ao JE, adiantando que, numa altura em que se erguem muros e fecham portas, a presença física num país tão grande e científica e tecnologicamente tão poderoso é de extrema importância. “As Universidades têm a responsabilidade de defender o conhecimento, o que deve ser feito na base da partilha, da abertura, do ultrapassar de todas as barreiras, incluindo as barreiras políticas”, afirma.
A ULisboa School, Shanghai University resulta de uma parceria com a Universidade de Xangai, em cujo campus funciona. Oferece três licenciaturas e três mestrados, envolvendo o Instituto Superior Técnico, a Faculdade de Ciências e o Instituto Superior de Agronomia. São todos cursos de Engenharia - Eletrotécnica e de Computadores;Civil e Engenharia do Ambiente, frequentados por 700 alunos.
As aulas tiveram início em setembro de 2022 e os mestrandos (dois anos) são os primeiros a atingir a formatura. Até final do ano serão 62 nos três programas. Já os primeiros licenciados terão o canudo em 2025/26.
O acordo luso-chinês está previsto durar 15 anos, até 31 de dezembro de 2037. À data de hoje, Pedro Silva Girão faz um balanço positivo: “Dadas as grandes diferenças culturais, sociais, legislativas e administrativas entre a R.P da China e Portugal creio que a parceria tem corrido bastante bem, ultrapassando-se os problemas sempre existentes e mais acentuados devido às diferenças mencionadas”. Leitura idêntica tem João Peixoto. E o futuro?
Há desafios. Xangai fica a quase um dia de avião de Lisboa e metado corpo docente (os outros 50% é chinês) tem de atravessar meio mundo. Não será fácil mantê-los motivados. Também, diz João Peixoto, “não é garantido para sempre o interesse nos nossos mestrados”. Além de haver menos jovens a procurar formação avançada fora, os cursos custam dinheiro. É certo que no coração financeiro de uma China que se desenvolve, há uma classe média-alta, que continua a crescer. Isso beneficia a Faculdade. “O facto de as aulas serem em inglês e de se tratar de um grau europeu faz avançar este processo”, explica João Peixoto.
A operação da ULisboa em Xangai paga-se ela própria. É uma lança... não em África, mas na Ásia, a zona mais fervorosa do mundo nas próximas décadas.

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