Da Suécia à Índia, passando por muitos outros países. A mais recente divulgação de ficheiros associados ao caso Epstein está a gerar uma onda da indignação e contestação a altas figuras políticas e empresariais em vários países, dada a dimensão e sordidez do escândalo. Ainda que as consequências práticas ainda sejam limitadas, a maior preocupação de muitos governos está focada nos mais de 3 milhões de ficheiros divulgadosm incluindo e-mails, fotografias, vídeos e registos de voo associados a Jeffrey Epstein.
Foram divulgados pelo Departamento de Justiça norte-americano e, apesar de muitos nomes censurados, outros são públicos. Donald Trump, Bill Clinton, Ehud Barak e Narendra Modi são mencionados, bem como nomes mais associados à cultura ou ao desporto, como Jay-Z e os donos de equipas da NFL, NBA ou Fórmula 1, mas a lista parece não parar de crescer.
O ex-príncipe Andrew, do Reino Unido (entretanto desprovido do seu título real) foi só o topo de um iceberg. Precisamente nas ilhas encontra-se atualmente a maior ameaça a um governo nacional, com os pedidos para que o primeiro-ministro, Keir Starmer, se demita, incluindo vindos do seio do seu próprio partido. Por causa de Peter Mandelson, antigo diretor de comunicação do Labour, ex-ministro, alcunhado de “princípe das trevas”, que o atual governo nomeou como embaixador nos Estados Unidos. Está implicado na rede de Epstein, com quem partilhou informações em 2009, no pico da crise financeira, sobre ativos que o governo britânico planeava vender.
Além disto, informou Epstein das negociações em Bruxelas para salvar a moeda única e, em 2010, manteve contacto com o financiador nas últimas horas do governo de Gordon Brown, a quem chamou de “malcheiroso”.
Demitiu-se do Partido Trabalhista e da Câmara dos Lordes neste mês de fevereiro, mas não sem antes arrastar consigo o chefe de gabinete de Starmer, Morgan McSweeney, e o assessor de comunicação, Tim Allan.
Após o líder trabalhista da Escócia ter pedido que Keir Starmer abandone a liderança do governo, o primeiro-ministro reiterou que não se demite.
Quem cai com Epstein e quem escapa às suas consequências?
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O que arrisca ser o maior escândalo sexual deste século conheceu novos dados, mas as consequências políticas são ainda limitadas face à escala da rede que o financiador mantinha e a sordidez dos detalhes que vão surgindo. Governo britânico pode ser a primeira vítima, mas nos EUA os aliados de Trump cerram fileiras.