Portugal tem em África uma oportunidade única. Não por dimensão financeira, mas por conhecimento dos mercados, proximidade cultural e linguística, experiência empresarial e uma diáspora ativa. A questão deixou de ser saber se África tem potencial. Tem. A questão é saber se Portugal tem uma estratégia para aproveitar esta oportunidade com investimento, exportações, financiamento e presença duradoura.
A leitura de António Calçada de Sá, presidente da direção do Conselho da Diáspora Portuguesa, parte deste ponto. África já não pode ser vista como extensão da ajuda ao desenvolvimento, nem reduzida a petróleo, gás, minerais críticos ou matérias-primas. “Reduzir África aos seus recursos naturais é uma visão cada vez mais ultrapassada”, afirma ao Jornal Económico (JE).
O continente africano é hoje um mercado em expansão, com população jovem, urbanização rápida, necessidades de infraestrutura e procura por energia, agricultura, saúde, educação, serviços financeiros, logística e indústria.
“Sem dúvida que África está a ganhar relevância no mapa global do investimento”, diz António Calçada de Sá. “O espetacular crescimento demográfico, os jovens africanos, a rápida urbanização, a implementação da Zona de Comércio Livre Continental Africana, que une 1.300 milhões de pessoas de 55 países, podem fazer deste continente um milagre e ao mesmo tempo uma realidade de crescimento e de prosperidade”, acrescenta.
As empresas que querem crescer têm de olhar para aqui. O Banco Africano de Desenvolvimento estima que as economias africanas, em conjunto, cresçam 4,2% em 2026 e 4,4% em 2027. O Fundo Monetário Internacional prevê que as economias da África Subsaariana evoluam ainda mais rapidamente: 4,3% este ano e 4,5% no próximo. É um ritmo de crescimento claramente acima do da economia mundial, de 3%, das economias avançadas, limitado a 1,7%, ou da zona euro, com 0,9%.
A demografia também é uma tivo. Segundo a mais recente revisão das Nações Unidas, África ultrapassou 1,5 mil milhões de habitantes em 2024 e deverá aproximar-se de 2,5 mil milhões em 2050, quando as economias desenvolvidas envelhecem e se debatem com falta de mão de obra.
Portugal tem de apostar em ser a ligação entre a Europa e África
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África é o palco onde se disputa o futuro e Portugal parte com vantagens muito relevantes para ser um contribuinte importante. Mas tem de ter uma “estratégia consistente, continuidade e visão de longo prazo”.