A declaração final conjunta da cimeira da NATO em Ancara, esta semana, teve como finalidade central convencer os 745 milhões de pessoas que vivem na Europa – exceto austríacos, irlandeses, malteses, cipriotas, suíços e alguns balcânicos – de que o escudo protetor (nuclear) dos Estados Unidos continua a iluminar (ou a fazer sombra, conforme as opções ideológicas) sobre o continente. Nada muda, portanto, a não ser um pequeno detalhe: o custo dessa proteção – que até agora era negligenciável – passa a ser uma parcela importante no ‘deve & haver’ dos orçamentos dos Estados (e da União Europeia no seu conjunto).
A promessa, pelo menos da União Europeia, é que esse esforço na área da defesa não vai ser descompensado com cortes nos investimentos em outras áreas – mas essa conta aritmética só é possível se as máquinas de fazer dinheiro forem ligadas dia e noite. Ou seja, dizem alguns analistas, ou a União corta noutras despesas ou faz disparar a inflação. Ora, sendo ela (a inflação) de evitar a todo o custo, a retórica de que a despesa militar não implica um corte noutras áreas é uma impossibilidade. Já a certeza de que os gastos em defesa são um investimento na indústria é, dizem os mesmos críticos, falsa até prova em contrário (no terreno, com criação de emprego e aumento da dimensão das empresas).
‘Nova’ NATO não afasta dúvidas sobre o compromisso atlântico
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Os 32 Estados-membros asseguram que o artigo 5º é para cumprir, mas o regresso da retórica de Donald Trump sobre a Gronelândia enche a declaração final de dúvidas.