As principais propostas de Andy Burnham, ao assumir o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido centram-se num plano económico e político de 10 anos, focado na descentralização e no maior controlo público de serviços essenciais. No quadro da economia, o controlo estatal prevê uma maior intervenção e possível nacionalização em setores como energia, água e transportes.
Haverá lugar a reformas de emergência imediatas, como o corte do IVA na eletricidade e a limitação de preços nas viagens de autocarro. Surge depois a reindustrialização: o investimento na recuperação da capacidade industrial do país – que terá efeitos benéficos na criação de emprego.
Nos impostos, estão previstas alterações fiscais progressivas no imposto sobre os rendimentos e taxas diferenciadas para comércio e restauração. É de recordar que, em determinada altura da sua vida política, Burnham era adepto da criação de um imposto especial sobre os muito ricos, mas afastou a criação de um imposto sobre a riqueza no curto prazo logo após assumir o cargo de primeiro-ministro.
Na área social, é a habitação que mais motiva o novo primeiro-ministro, através do lançamento do maior programa de construção de habitações públicas dos últimos 40 anos. Os sem-abrigo merecem-lhe atenção especial e são uma prioridade máxima – mas também o eram em Manchester, onde foi autarca, não tendo sido bem-sucedido: quando foi eleito presidente da câmara da Grande Manchester em 2017, prometeu erradicar totalmente os sem-abrigo até ao ano de 2020, mas não conseguiu cumprir essa meta.
Na educação, Burnham pretende uma reforma estrutural profunda do sistema de ensino britânico. E finalmente a descentralização política, com a criação daquilo que já é conhecido como o ‘Número 10 do Norte’: uma base oficial de operações do governo deslocalizada para Manchester para retirar o monopólio político a Londres. Que é o mesmo que dizer autonomia regional: a transferência de poderes económicos e decisórios para fora da capital também faz parte dos seus planos.
Plano a dez anos para salvar uma economia deficitária
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A inflação está acima do que o Banco de Inglaterra quer, o défice crónico das contas públicas está acima dos 4% e a dívida não está longe dos 100% do PIB.