Mitigar o custo de vida, construir habitação social, incentivar o emprego jovem e erradicar os sem-abrigo – tudo num quadro de reconstrução de um “sentido de unidade” que, aparentemente, se terá perdido algures. Não é um plano para um país sul-americano em crise, nem para uma economia asiática emergente: é para aquele que é considerado um dos países mais ricos da Europa: o Reino Unido. O seu autor é o novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham – um trabalhista que sucedeu, depois de inúmeras peripécias, a outro trabalhista, Keir Starmer, que sucedeu a cinco primeiros-ministros conservadores. Tudo no apertado período de uma década – o que demonstra bem a depreciação económica e social que o país sofreu às mãos de conservadores e trabalhista naquela que foi a primeira década sem suporte da União Europeia desde 1973.
Votado favoravelmente em 2016 exatamente para restaurar o “sentido de unidade” entre os britânicos – segundo a retórica dos brexiters – é de algum modo constrangedor, mas não surpreendente, que, dez anos depois, tudo tenha andado para trás. Este é, portanto, o maior desafio de Andy Burnham. Como o era de Starmer, de Rishi Sunak, de Liss Truss, de Boris Johnson e de Theresa May antes dele. Todos falharam e, por isso, a maior dúvida entre os analistas – e com certeza entre os britânicos em geral – é perceberem até que ponto Burnham é diferente dos outros.
Andy Burnham quer “construir um sentido de unidade”
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Com a economia a passar por grandes dificuldades e a sociedade em desarticulação, o maior desafio do novo primeiro-ministro é manter o país unido. Será bem-sucedido?