Oprocurador-geral da República, Amadeu Guerra, confirmou esta quinta-feira a existência de três inquéritos do Ministério Público relacionados com as polémicas que envolvem Luís Neves, aos quais se juntam uma investigação de natureza administrativa e um processo no Tribunal de Contas. A confirmação aumenta o escrutínio sobre o ministro da Administração Interna quando Luís Montenegro volta a assumir publicamente a confiança no governante.
Um dos inquéritos, no DIAP de Lisboa, investiga o atrelado apreendido numa operação contra o tráfico de droga e posteriormente encontrado nas instalações da Construbarcelos, empresa que realizou trabalhos na propriedade de Neves em Odemira e teve contratos com a PJ quando este a dirigia. Outro corre no DIAP de Évora e está relacionado com aquelas obras. A PGR tem ainda “em análise” um processo relativo ao Golf GTD apreendido a um traficante e utilizado por Neves enquanto diretor da PJ e, depois, já como ministro.
Segundo Amadeu Guerra, os processos do atrelado e das obras são considerados urgentes e foram tramitados durante as férias judiciais. “Investigamos todas as pessoas, sem exceção”, afirmou o PGR, que não antecipou prazos para a conclusão das investigações.
Em São Tomé, Montenegro afirmou estar “muito tranquilo com todos os membros do Governo” e considerou que Neves tem demonstrado “aptidão para resolver problemas”, destacando fronteiras, aeroportos e incêndios. Desvalorizou ainda a moção de censura do Chega, que será debatida e votada a 8 de setembro, às 15h00. A audição parlamentar de Neves, prevista para a mesma tarde, será reagendada. Montenegro rejeitou também governar em função da pressão mediática: “Deus me livre se eu governasse atendendo àquilo que dizem os comentadores.”
As palavras representam também um respaldo à contraofensiva protagonizada por Neves na Madeira. Numa cerimónia do 148.º aniversário da PSP, o ministro atacou André Ventura e prometeu combater politicamente o populismo.
A escolha do palco provocou críticas dentro da própria PSP. Bruno Pereira, presidente do Sindicato dos Oficiais de Polícia, classificou a intervenção como uma “desfaçatez”, “completamente inapropriada e descontextualizada”, e disse que foi interpretada por muitos polícias como algo que “nos envergonha e retira valor” à instituição. “Envergonharam-me aquelas declarações”, afirmou.
Também Belém entrou na equação. António José Seguro garantiu em Porto Covo que não manda “recados por ninguém” e que ninguém está autorizado a falar em seu nome, depois de declarações de pessoas próximas do Presidente terem sido interpretadas como pressão sobre Montenegro. Seguro não revelou, porém, o conteúdo das conversas que manteve com o primeiro-ministro sobre Neves.
Não existe, para já, uma crise de coabitação. Mas o prolongamento do caso pode constituir um primeiro teste à relação entre Belém e São Bento, sobretudo se surgirem novos factos das investigações. Seguro remete a responsabilidade para quem constitucionalmente a tem; Montenegro assume-a, reiterando a confiança no ministro.
O escrutínio continuará também no Parlamento. Além da moção de censura, o Chega pretende criar uma comissão de inquérito aos mandatos de Neves na PJ, embora tenha de reformular o respetivo requerimento por determinação de Aguiar-Branco.
Ao reiterar a confiança em Neves quando aumenta o escrutínio judicial e parlamentar, Montenegro assume também o risco político do que as investigações ainda possam revelar.
PGR confirma três inquéritos. Montenegro mantém confiança
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Luís Neves : Enquanto elementos sindicais criticam duramente a forma como o MAI aproveitou uma cerimónia oficial da PSP na Madeira e a transform numa conferência de imprensa, Montenegro respalda o ministro, que elogia pelo trabalho que tem realizado. E reitera a confiança política.