Toda a cultura é diálogo e não há diálogo sem confrontação.” A síntese expressiva desta tensão é da artista portuguesa Ana Hatherly. Não a pensou para a ocasião que aqui nos traz, a 23.ª edição das Jornadas do Património de Sharjah, uma das mais relevantes mostras internacionais dedicadas ao património cultural no Médio Oriente. Mas diríamos que ela assenta como uma luva na essência da representação lusa enquanto País Convidado de Honra. Ocasião para se assinalarem, também, os 50 anos de relações diplomáticas e de cooperação cultural com os Emirados Árabes Unidos (EAU).
O tema escolhido é “O Património como aventura”, que tem subjacente a tal ‘tensão’ e que visa divulgar o património islâmico português enquanto património cultural partilhado e fator de afirmação identitária.” Como questiona o curador Paulo Pires do Vale, “E se enfrentássemos o património como uma aventura?” “Afinal, tudo o que é, hoje, tradição e património, começou como inovação e novidade (até escândalo). E o futuro não está apenas à nossa frente, mas atrás de nós.” Como frisa Pires do Vale, com esta participação, “queremos celebrar, em primeiro lugar, a cultura portuguesa como tarefa infinita, em construção; e por outro, a influência islâmica no nosso património. Somos mesclados, e isso é um bem.”
O futuro não está apenas à nossa frente, mas atrás de nós
/
Há encontros que perduram no tempo, como a influência islâmica na língua, cultura e arquitetura portuguesas. Portugal celebra-os agora nas Jornadas do Património de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos.