Skip to main content

No Fólio não há tabus, tudo se debate - à boleia da literatura

O Festival Literário Internacional de Óbidos assinala dez anos com debates sobre fronteiras: físicas, políticas, culturais e simbólicas. E conta com a participação de três laureados com o Nobel de Literatura.

Para os mais distraídos, o melhor é deixar já um spoiler alert: o Fólio é um festival literário que discute ideias e política, provoca desconforto e estimula o pensamento. Não é uma prescrição médica, mas poderia ser. Em vez de medicamentos teríamos a escuta como terapia. Escuta ativa, entenda-se. De romancistas, poetas, filósofos, artistas e pensadores de diversas áreas.
É o que o Fólio – Festival Literário Internacional de Óbidos se propõe fazer até 19 de outubro, numa edição que celebra dez anos de existência, em torno do tema “Fronteiras”. Não apenas limites geográficos e culturais, mas também fronteiras da linguagem, da identidade e da própria natureza humana.
Destaques não faltam, a começar pela presença prevista, no último dia do festival, do recém-anunciado Nobel de Literatura 2025, László Krasznahorkai. Apelidado pela escritora americana Susan Sontag de “Mestre húngaro do apocalipse”, estará acompanhado por dois outros laureados com o Prémio Nobel de Literatura: a escritora bielorrussa Svetlana Aleksiévitch e o autor sul-africano J. M. Coetzee. Entre “escrever a história da alma humana” (Aleksiévitch) e retratar “a desumanização do ‘outro’” (Coetzee), arriscamos dizer que a obra de Krasznahorkai, marcada por um obsessivo pessimismo e uma profunda angústia existencial, completa o triângulo do abismo humano.
A programação do Folio Autores leva à Tenda Literária mais 29 escritores, nomeadamente a norte-americana Anne Applebaum, o israelita Avi Shlaim, o espanhol Fernando Aramburu, o irlandês Paul Murray, a norte-americana Lionel Shriver e o francês Pierre Singaravélou. Os temas a abordar nas diversas Mesas terão, entre outros triggers, a existência, o medo, o Outro, a identidade, a família, a memória, a morte, a liberdade ou o silêncio.
Uma das novidades desta edição será o Folio Cinema, que arranca da melhor forma, com a antestreia mundial de “Nora Helmer”, obra de João Lourenço e Nuno Neves inspirada na peça de teatro “A Casa de Bonecas”, do dramaturgo Henrik Ibsen. Os filmes da nova secção têm como premissa a adaptação de obras literárias ao cinema, ilustrando a relação quase umbilical que muitas vezes existe entre a literatura e a 7ª Arte.
Também serão lançadas obras, como “Visceral”, de Maria Fernanda Ampuero (12 de outubro) e “Chuva de Jasmim”, de Shahd Wadi (19 de outubro), entre outras, na Livraria Santiago. Destaque ainda para o lançamento de “Toda Fúria”, do autor brasileiro Tom Farias (12 de outubro), no Museu Abílio de Mattos e Silva. Omuseu também será palco do Folio BD, que inclui uma antologia internacional dedicada à noção de fronteira e à luta política, filmes de animação, mesas redondas e visitas guiadas com alguns dos artistas.
Do vasto programa da 10ª edição, destaque ainda para o Prémio Literário Fernando Leite Couto, que traz ao Fólio Zacarias Nguenha, vencedor da sétima edição do prémio, atribuído a 17 de julho, em Maputo, Moçambique. Oautor e professor de Língua Portuguesa, de 31 anos, apresentará a sua obra no dia 11 de outubro, pelas 15h00, no auditório da Casa da Música, ocasião em que receberá os prémios atribuídos pela Câmara Municipal de Óbidos e pela Câmara de Comércio Portugal Moçambique.

Este conteúdo é exclusivo para assinantes, faça login ou subscreva o Jornal Económico