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Montenegro tem de defender setor automóvel português em Bruxelas, defendem construtores nacionais

Portugal produz 350 mil automóveis por ano e Governo deve ser um "ator interventivo" para combater a "burocracia europeia". "Esperemos que o Governo português não se comece só a preocupar-se quando houver ameaças do fecho" de fábricas, defendem construtores nacionais.

O primeiro-ministro tem de defender o setor automóvel nacional junto da União Europeia, defende a Associação Automóvel de Portugal (ACAP).

Luís Montenegro vai estar presente esta quinta-feira no Conselho Europeu informal que tem lugar em Bruxelas, Bélgica.

A fileira nacional considera que chegou a hora de defender o setor para não lamentar desinvestimentos no futuro, isto é, encerramentos de fábricas cruciais para a economia nacional.

"Sendo Portugal um país produtor com mais de 340 mil unidades, esta preocupação devia ser central para o Governo português", defendeu o presidente da ACAP.

"Esperemos que o Governo português faça lobby e que não se comece só a preocupar-se quando houver ameaças do fecho" de fábricas, acrescentou Sérgio Ribeiro durante a conferência de imprensa de balanço do ano de 2025.

"O Governo português tem que ser um ator interventivo" perante a "burocracia europeia" que implica alterações que são lentas de concretizar no terreno e que requerem grandes volumes de investimento.

O que preocupa o setor? As pesadas multas previstas pela Comissão Europeia a partir de 2027 para os construtores que não cumprirem com as metas de descarbonização e com o fim gradual do motor a combustão a partir de 2035.

Por sua vez o secretário-geral da ACAP considerou que a "imprevisibilidade e o excesso de regulamentação tornam pouco previsível definir ciclos de produção e dos seus produtos", segundo Hélder Barata Pedro.

Já o vice-presidente da associação considera que o anúncio da Comissão Europeia de aliviar de regras para 2035 foi "pura desinformação. Nada aconteceu de diferente" e só contribuiu para "criar mais incerteza no mercado".

Para Pedro Lazarino, existe um "mundo a duas velocidades completamente diferentes".

"Nos EUA, se não tivesse ganho o senhor Trump, o país estava a eletrificar-se, mas houve uma inversão completa. Mas somos os que estão em acelerado passo para a eletrificação. A Europa sofre mais pressão. Os EUA vão ter centros de engenharia para desenvolver motores a combustão; a Europa está mais dependente da eletrificação. Há uma inversão de trajetória, o mundo está tudo menos uniforme", acrescentou Pedro Lazarino.

O setor automóvel em Portugal emprega 176 mil trabalhadores, com um volume de negócios de 46 mil milhões de euros gerado por 37 mil empresas.

Esta fileira representa 12% das exportações nacionais, gerando 12 mil milhões de receitas fiscais para os cofres públicos.

O país produziu mais de 340 mil automóveis em 2025, com 88% a destinarem-se ao mercado europeu.

A Volkswagen Autoeuropa pesa 70% na produção nacional, seguida da Stellantis Mangualde com 27%.