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Mercado português continua deprimido, à espera de negócios

São quatro meses de quebra do mercado transacional, que continua à espera de maior estabilidade e da concretização de grandes operações. Venda do Novobanco em 2025 não ajuda.

O capital mobilizado no mercado transacional português nos primeiros quatro meses deste ano caiu 28,6%, face a igual período de 2025, para 1.396 milhões de euros, segundos dados da TTR Data. Mantém-se a tendência de quebra verificada desde janeiro. Aliás, agrava-se. A atividade também recuou em número de operações: foram registadas 141 transações envolvendo, menos 32,9% do que no primeiro quadrimestre de 2025.
No ano passado, o mercado cresceu 28,15%, para 17,56 mil milhões de euros, o mais elevado desde 2021, invertendo a quebra verificada em 2024. Mas tudo por causa da venda do Novobanco ao grupo francês Banque Populaire – Caisse d’Épargne (BPCE), num negócio anunciado de 6,4 mil milhões de euros, mas que chegou aos 6,7 mil milhões.
Sem isso, teríamos assistido a um tombo de 18,5%, face a 2024, para 11,1 mil milhões de euros.
Mas os grandes negócios também fazem parte do jogo, ainda que seja difícil encontrar muitos com a dimensão deste, em que o quarto grupo financeiro francês comprou o quarto banco português.
Este ano já houve um grande negócio em Portugal, a aquisição da cimenteira Secil pela espanhola Cementos Molins, avaliada em cerca de 1.081 milhões de euros, concluída em março.
Há outros na calha, como o processo de privatização parcial da transportadora aérea TAP, disputado pela Lufthansa pela Air France-KLM, num negócio que deverá chegar a 1.500 milhões de euros. Também a venda da Indaqua, o maior operador de concessões municipais em Portugal, líder na gestão de sistemas de abastecimento de água para consumo humano e de saneamento de águas residuais. O negócio deverá ultrapassar os mil milhões de euros. E a venda da Logoplaste, líder mundial no design e fabrico de soluções de embalagens de plástico rígido de valor acrescentado. O mercado também aqui aponta para avaliações acima de mil milhões de euros.
Ainda negócios de investimento, seja na rotação de ativos de energias renováveis, eólica e solar, e o imobiliário, claro, que tem sido um motor do mercado transacional. Ou seja, há movimento.

Retrato em baixa
Enquanto os grandes negócios não se concretizam, os dados mostram um início de ano mais fraco, tanto em volume como em valor. A quebra é mais acentuada no número de transações do que no capital mobilizado, o que indica que os negócios concretizados são, em média, maiores.
As fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) continuam a ser o principal segmento em número de operações. Entre janeiro e abril foram registadas 64 transações, no valor agregado de 314 milhões de euros. Destas, 55 estavam concluídas, com 243 milhões de euros mobilizados, e nove permaneciam em curso, com 71 milhões de euros associados.
O private equity registou 24 operações, no valor de 340 milhões de euros. Nove operações ainda estavam em curso e concentravam 320 milhões de euros, enquanto 15 operações concluídas representavam apenas 20 milhões de euros.
No venture capital, foram contabilizadas 21 transações, no valor de 306 milhões de euros. O capital de risco manteve alguma expressão no valor agregado, mas com menos operações do que nos anos de maior liquidez. A TTR Data identifica uma operação em curso de 130 milhões de euros e 20 operações concluídas no valor de 176 milhões de euros.
As aquisições de ativos somaram 32 operações, com 435 milhões de euros mobilizados. Este foi o segmento com maior valor agregado no período, acima do M&A, do private equity e do venture capital.
A fotografia setorial mostra uma concentração nos mesmos setores que têm dominado o mercado português nos últimos anos, mas com uma quebra expressiva em vários. Imobiliário e internet, software e serviços de tecnologias de informação registaram 21 operações cada um. No imobiliário, a queda homóloga foi de 40%; na tecnologia, de 22%. O turismo, hotelaria e lazer somou 12 operações, menos 48%, enquanto os serviços profissionais e de suporte empresarial chegaram a 11 operações, mais 22%.
A componente internacional continua relevante, mas também enfraqueceu face ao ano anterior. As aquisições de empresas portuguesas por investidores estrangeiros somaram 41 operações, no valor de 312,6 milhões de euros. Já as empresas portuguesas realizaram 37 aquisições no exterior, no valor de 864,9 milhões de euros.
Espanha continua a ser o principal mercado de ligação. Do lado das aquisições feitas por empresas portuguesas no estrangeiro, Espanha liderou com 17 operações, no valor de 430,7 milhões de euros. Do lado do investimento estrangeiro em Portugal, os compradores espanhóis também foram os mais ativos, com 13 operações, no valor de 95,2 milhões de euros.
O relatório mostra ainda uma quebra no investimento norte-americano. As aquisições de empresas portuguesas por compradores dos Estados Unidos caíram 64,3%, para cinco operações.