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Menos operações, mas com mais dinheiro

Dados da TTR Data dos dois primeiros meses mostram quebra de 30% nas operações, mas só de 3% nos montantes envolvidos.

O mercado transacional em Portugal arrancou 2026 com menos operações, mas com negócios de maior dimensão e com forte presença de investidores internacionais, de acordo com os dados da TTR Data relativos aos dois primeiros meses do ano, que confirma o padrão de 2025: menos transações, mas com volumes financeiros mais elevados.
Em janeiro e fevereiro foram registadas 73 transações envolvendo empresas portuguesas, uma queda de 29,8% face ao mesmo período do ano passado, mas o valor agregado envolvido só caiu 3,1%, para 606 milhões de euros, o que se traduz num maior volume médio por operação.


O segmento de fusões e aquisições (M&A, na sigla inglesa) continua a dominar o mercado. Foram contabilizadas 35 operações, com um valor total de 314 milhões de euros. Destas, 31 já foram concluídas, mobilizando cerca de 243 milhões de euros.
O capital de risco mantém uma presença mais reduzida. O venture capital registou 10 operações, com um investimento total de 133 milhões de euros, enquanto as aquisições de ativos somaram 17 negócios e um valor agregado de 159 milhões de euros. Já o private equity apresentou atividade limitada, com 11 operações registadas e sem valores financeiros divulgados.
Em termos setoriais, a tecnologia assume um papel central. As áreas de internet, software e serviços tecnológicos lideram o número de operações no início do ano, seguidas pelo imobiliário, turismo e serviços empresariais. A concentração nestes segmentos reflete o peso crescente da digitalização e da reconfiguração do setor imobiliário e turístico no investimento empresarial.


O mercado continua igualmente marcado por uma forte componente internacional. Entre as operações transfronteiriças realizadas por empresas portuguesas destacam-se aquisições em Espanha, Reino Unido e Alemanha. No total, foram registadas 21 aquisições no exterior, com um valor agregado de cerca de 355 milhões de euros.
Do lado do investimento estrangeiro em Portugal, foram identificadas 17 aquisições de empresas nacionais por investidores internacionais, que mobilizaram cerca de 103 milhões de euros.


Entre as operações em destaque está a aquisição da empresa portuguesa P&R Têxteis pela Sogepoc, negócio que marca o principal acordo identificado no mês de fevereiro e que envolve um fabricante especializado em vestuário técnico desportivo.
Entre as grandes consultoras, a PwC Portugal lidera por valor agregado das operações acompanhadas, com cerca de 70 milhões de euros em transações desde o início do ano. Em número de operações, a liderança pertence à EY Portugal.
BBVA e Forbis Mazars destacam-se na assessoria financeira.


A CS’Associados e a VdA lideram entre as sociedades de advogados, ambas com dois mandatos.
Apesar da queda no número total de operações, o mercado português mantém sinais de atividade em setores estratégicos e continua a atrair investidores estrangeiros. A evolução do resto do ano dependerá, em grande medida, da estabilidade macroeconómica e da capacidade das empresas em captar capital para projetos de crescimento e consolidação.