O leilão para atribuir áreas para pesquisa de lítio poderá avançar ainda este ano, admitiu a ministra do Ambiente e da Energia esta terça-feira. Este concurso visa apenas a avaliação destas áreas para procurar este mineral crítico, ficando de fora a sua explora comercial.
Prometido em 2018 pelo Governo socialista de António Costa, o leilão poderá ver a luz do dia ao fim de oito anos, se certas condições forem reunidas.
"Pode ser este ano, desde que as populações se sintam bem com o projeto que lá têm", disse Maria da Graça Carvalho ao JE.
"Precisamos do envolvimento das populações, que aceitem bem estes projetos, para criar condições para ficar riqueza no país", acrescentou.
"Tem que haver um benefício para o país se se abrir um buraco algures para extrair um minério. Ainda temos um passivo ambiental, o país ainda tem minas para remediar", afirmou.
Em 2018, o secretário de Estado da Energia Jorge Seguro Sanches admitia lançar o leilão nesse ano. Mais tarde, foi o então secretário de Estado da Energia João Galamba a prometer lançar em 2019 um leilão para o lítio. Em 2022, o gabinete do então ministro do Ambiente João Pedro Matos Fernandes analisou oito áreas, mas as áreas de Arga e Segura ficaram de fora.
Perante polémicas com o setor do lítio, e eleições antecipadas pelo meio, o concurso foi sendo adiado. No final de 2024, o atual Governo prometeu lançar este leilão, incluindo lítio e outras matérias-primas críticas, em 2025. Mas o país foi novamente as eleições.
O grupo de trabalho criado para este efeito estabeleceu Masseieme (Pinhel, Trancoso, Meda, Almeida), Seixoso Vieiros (Fafe, Felgueiras, Amarante, Guimarães, Mondim de Basto e Celorico de Basto) e as zonas identificadas como Guarda-Mangualde (C/E/W/NW).
A Direção-Geral de Energia (DGEG) chegou a apontar que existiam intenções de investimento na casa dos nove mil milhões de euros na fileira do lítio. É um total de 1.500 km2 entre o norte e o centro de Portugal.
Em relação ao concurso para a baixa tensão, a ministra adiantou que o grupo de trabalho já entregou a sua proposta e que o Governo prepara agora a sua própria proposta. "É difícil que o leilão seja este ano", revelou Maria da Graça Carvalho.