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Exportação de vinho para os EUA com quebra de 20% até novembro de 2025

Dos cinco maiores destinos das exportações, apenas Angola não registou quebras. Mas os números gerais não demonstram o desastre que alguns agentes do setor anteciparam: as exportações diminuíram apenas 1,04% nos primeiros 11 meses de 2025 em relação ao período homólogo do ano anterior.

Nos 11 primeiros meses do ano passado, as vendas de vinhos para o mercado dos Estados Unidos – o terceiro mais importante para o setor em termos de valor – atingiram os 75,9 milhões de euros, o que representa uma queda da ordem dos 20% em relação aos 94,8 milhões atingidos no mesmo período de 2024. Para Frederico Falcão, presidente da ViniPortugal, “são as consequências das tarifas que já estão a fazer-se sentir”, consequências essas que “vão com certeza manter-se quando as contas totais do ano estiverem fechadas”.

A queda de vendas do vinho português no mercado norte-americano é a maior registada, no período em referência, ao nível dos cinco mercados mais importantes para as exportações. Depois dos Estados Unidos, surge o Reino Unido, com uma queda de 14,4% (para os 67,8 milhões de euros), e a França, que derrapou 9,7% (para os 83,2 milhões. O Brasil registou uma queda bem mais pequena, apenas 0,6%, para atingir os 79,9 milhões de euros – com Angola, o quinto maior mercado a ser a exceção à regras: comprou vinhos nacionais no valor de 50,1 milhões de euros, mais 23% que entre janeiro e novembro de 2024.

De um modo geral, os mercados de exportação de vinhos estão a encolher: entre os 32 países que fazem parte da lista da ViniPortugal, 20 deles (62,5%) apresentaram quedas nas compras ao longo dos primeiros 11 meses de 2025 em comparação com o mesmo período do ano passado. A maior subida registou-se nos Emiratos Árabes Unidos, que gastaram 3,2 milhões de euros em vinhos nacionais, mais 26% que no período homólogo de 2024. São Tomé e Príncipe, Macau, e Cabo Verde também fecharam no lado positivo. Dado importante é, contudo, o que revela o comportamento do mercado espanhol, que cresceu 10,3% ao comprar vinhos portugueses no valor de 28 milhões de euros.

Queda ligeira

Mas, se a desagregação dos números revela um universo que os produtores nacionais estão a considerar como negativo, o certo é que, no geral – e apesar de uma descida generalizada em termos de volume – o valor não está a quebrar como alguns agentes do setor chegaram a temer. Assim, os exportadores nacionais enviaram para fora das fronteiras vinhos no valor total de 887,3 milhões de euros nos 11 primeiros meses de 2025, apenas 1,04% menos que os 896,6 milhões atingidos no mesmo período do ano anterior.

“É ainda assim uma queda ligeira”, bem longe do desastre que alguns agentes do setor anteciparam, refere Frederico Falcão. Mas o presidente da ViniPortugal chama a atenção para outro facto: no final dos primeiros dez primeiros meses de 2025, a queda geral das exportações era de apenas 0,12%. Ou seja, um mês passado, o acumulado passou para os 1,04%, que, na melhor das hipóteses, “talvez se mantenha a esse nível quando os valores anuais estiverem contabilizados”.

De qualquer modo, e no que tem a ver com os primeiros dez meses de 2025 (ou seja, em comparação com a quebra nacional de 0,12%), todos os restantes mercados exportadores de vinho – com a exceção de França – tiveram um pior desempenho que Portugal. A lista do desastre é encabeçada pelos próprios Estados Unidos, que, como produtores exportadores, viram as suas exportações encolherem 41,6%. As exportações australianas diminuíram 9,3%, as argentinas 6,9%, as alemãs 3,7%, as chilenas 3,5%, as espanholas 2,1% e as italianas 2%. Em contraciclo, as exportações gerais de vinhos franceses aumentaram 0,53%.