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IA já causa impacto no comércio, serviços e PME

O consultor da CCP, Sérgio Lorga, considera, ao JE, que a IA tem um "enorme potencial" no setor do comércio e dos serviços ao nível da "melhoria de processos, a eficácia dos marketing, no atendimento aos clientes, e como os recursos humanos conseguem dar reposta aos desafios que são colocados". Já a CPPME diz, ao JE, que a inteligência artificial está a ter um "impacto crescente" nos setores representados pela confederação mas que o nível de adoção nas empresas portuguesas "permanece globalmente reduzido", sobretudo entre as micro, pequenas e médias empresas (PME).

A inteligência artificial (IA) já está a ter impacto em áreas como o comércio e também ao nível da Micro, Pequenas e Médias Empresas, como assinalam o consultor da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), Sérgio Lorga, e a Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas (CPPME) ao Jornal Económico (JE).

Sérgio Lorga assinala que a IA de uma "forma indireta" está a ter um "impacto direto" no comércio. "As grandes plataforma utilizam IA para fidelizar os seus consumidores", explica o consultor.

"Ela [IA] já tem impacto no quotidiano na forma como as propostas são apresentadas às pessoas", reforça Sérgio Lorga.

Na visão do consultor da CCP a IA tem um "enorme potencial" no setor do comércio e dos serviços ao nível da "melhoria de processos, a eficácia dos marketing, no atendimento aos clientes, e como os recursos humanos conseguem dar reposta aos desafios que são colocados".

Contuso Sérgio Lorga alerta que só se conseguirá fazer uma utilização com eficácia da IA com a "estruturação de processos". O consultor refere que se numa fase inicial esses processos "não ficarem prontos" a IA não terá capacidade para os corrigir.

Sérgio Lorga reforça que se não tivermos uma "noção completa" do negócio não iremos retirar oportunidade de uma tecnologia como a IA. O consultor defende também que para certo tipo de tarifas irá existir necessidade de existir validação humana. "O fator humano deve supervisionar e validar as automações", salienta o consultor.

Sobre o impacto que a IA pode ter no mercado de trabalho Sérgio Lorga refere que é provável que algumas tarefas ou funções "sejam eliminadas, que tenham consequências em determinados tipo de empregos, mas que outras [funções] sejam criadas".

Sérgio Lorga diz que nesta fase inicial "vai haver alguma substituição de emprego mas vai haver outros empregos para dar resposta a novas exigências" O consultor assinala que a IA é um "excelente" instrumento de apoio à decisão, aos processos de análises, acabar com tarefas repetitivas que não são geradoras de valor. "Há um conjunto tarefas no comércio e serviços que podem capitalizadas ou cuja eficácia pode ser amplificada", defende o consultor da CCP.

Sérgio Lorga diz também que é importante perceber as limitações da IA e ter a capacidade de identificar os enviesamentos e nos proteger desses enviesamentos através do estabelecimentos de regras sobre o uso deste tipo de ferramentas. "É importante formar colaboradores para perceber isto. Proteger dados críticos da empresa. Ter cuidado com a forma como se treina os algoritmos. É importante investir na literacia transversal e não apenas na técnica. Ter códigos de utilização de IA e criar guias de adoção de IA", descreve o consultor da CCP.

Já a CPPME refere que a inteligência artificial está a ter um "impacto crescente" nos setores representados pela confederação, onde se inclui áreas como: o comércio, a indústria, os transportes, os serviços, o turismo, a restauração e as tecnologias de informação.

Apesar disso a confederação diz que a adoção da IA pelas micro e pequenas empresas enfrenta ainda "obstáculos significativos".

Um dos principais desafios, identificados pela confederação, está ligado à "falta de competências digitais, particularmente nas microempresas, onde existe menor acesso a formação especializada, menor capacidade financeira para investimento tecnológico e maior dificuldade na integração de soluções digitais nos processos existentes". A CPPME salienta que esta limitação "condiciona" não só a adoção da IA, mas também a sua utilização eficiente e estratégica.

"Importa ainda destacar que a inteligência artificial é, muitas vezes, utilizada de forma inadequada, sendo encarada como um substituto direto dos processos existentes, quando, na realidade, não deve ser vista como uma simples substituição da automação tradicional, mas sim como um meio de melhoria, otimização e reforço dos processos já implementados", diz a confederação.

"A adoção eficaz da IA exige planeamento, adaptação organizacional e uma clara definição de objetivos, sob pena de gerar ineficiências, riscos operacionais e dependência excessiva de soluções externas", acrescenta a CPPME.

A confederação diz ainda que outro "entrave relevante" é a "falta" de um enquadramento legislativo "claro e consolidado", que continua a gerar incerteza jurídica, sobretudo no que respeita à proteção de dados, responsabilidade algorítmica, ética e segurança. "Esta ausência de regulamentação específica limita a confiança das empresas na adoção alargada destas tecnologias", assinala a confederação.

"Adicionalmente, os custos elevados das soluções de IA constituem uma barreira significativa para as micro, pequenas e médias empresas", defende a confederação.

"Apesar da existência de uma nova estratégia nacional para o digital e para a inteligência artificial, continua a verificar-se insuficiência de investimento público, bem como défices na transmissão de conhecimento entre o meio académico, tecnológico e o tecido empresarial. Esta lacuna dificulta a criação de ferramentas transversais, acessíveis e adaptadas às PME, promovendo, por outro lado, uma dependência excessiva de soluções externas e não controladas, muitas vezes desenvolvidas fora do contexto nacional", acrescenta a CPPME.

"A Confederação considera que apenas através de uma abordagem estruturada e inclusiva será possível garantir que a inteligência artificial se traduza em ganhos reais de produtividade, competitividade e sustentabilidade económica para as empresas portuguesas", refere a CPPME.

A confederação assinala que o nível de adoção da inteligência artificial (IA) nas empresas portuguesas "permanece globalmente reduzido", sobretudo entre as micro, pequenas e médias empresas (PME), que constituem a larga maioria do universo representado pela CPPME – Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas.

"De acordo com os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) e da Agenda Nacional de Inteligência Artificial, em 2025 apenas cerca de 11,5% das empresas portuguesas utilizavam tecnologias de IA, sendo esta percentagem significativamente inferior nas pequenas empresas (9,4%) e particularmente limitada nas microempresas", diz a confederação.

"A análise por setor de atividade revela fortes assimetrias, sendo os setores tradicionalmente mais tecnológicos os que apresentam maior taxa de adoção. O nível de adoção da inteligência artificial nos setores representados pela CPPME é ainda reduzido, especialmente nas micro e pequenas empresas, exigindo uma resposta estruturada ao nível do investimento público, formação, transferência de tecnologia e desenvolvimento de soluções nacionais acessíveis", diz a confederação.

[caption id="attachment_1381736" align="alignnone" width="709"]Inquérito à utilização de Tecnologias da Informação e da Comunicação nas empresas 2025. Fonte: INE Inquérito à utilização de Tecnologias da Informação e da Comunicação nas empresas 2025. Fonte: INE[/caption]