O impacto económico do Grande Prémio da Fórmula 1 em Portugal, que regressará em Portugal em 2027, poderá ser mais modesto do que os 140 milhões de euros apontados pelo ministro da Economia esta terça-feira. Outras estimativas passam por uma fasquia entre os 100 e os 200 milhões de euros enquanto o Turismo do Algarve alinha pela visão do Governo.
Manuel Castro Almeida apontou que o regresso da Fórmula 1 a Portugal, apontado para 2027 e 2028 no Autódromo Internacional do Algarve, terá um impacto económico "nunca inferior a 140 milhões de euros" por prova.
Estas vão ser as 19.ª e 20.ªs edições do Grande Prémio de Portugal, novamente no Algarve, depois das corridas iniciais, em 1958 e 1960, no circuito da Boavista, no Porto, a de 1959 em Monsanto, em Lisboa, e entre 1984 e 1996 no Autódromo do Estoril, em Cascais.
Ao JE, Paulo Reis Mourão, economista, docente e investigador da Universidade do Minho, que analisa os impactos económicos de grandes provas motorizadas, arrefece um pouco as expectativas do Governo e considera que, apesar dos "cenários otimistas" apontados pelo Executivos, coloca a fasquia mais provável entre os 100 e os 120 milhões de euros.
Também ao JE, Daniel Sá, diretor-executivo do IPAM, aponta para um impacto económico entre os 100 e os 200 milhões de euros. O Turismo do Algarve, que mostra grande satisfação por esta conquista, estima um impacto de 150 milhões por prova.
O Governo espera que cada uma das provas possa trazer a Portugal cerca de 200 mil visitantes e um impacto económico nunca inferior a 140 milhões de euros em cada um dos anos. Quanto a custos, Manuel Castro Almeida garante que será inferior ao valor da receita esperada de impostos sobre a atividade económica associada a estas corridas. "Temos alguma reserva em falar desses valores", adiantou o ministro.
Ainda assim, Manuel Castro Almeida garantiu que o valor será abaixo dos 50 milhões de euros (para 2027 e 2028) que tem sido adiantado pela imprensa como o custo suportado pelo Governo para receber a prova. Uma garantia que o Governo deixa neste momento: "Não haverá saldo negativo para o Estado".
Paulo Reis Mourão considera que o facto de Portugal ter recebido o Grande Prémio em 2020 e 2021, uma organização excecional na altura da pandemia, ajudou a esta decisão. Mas não só: "O passado recente no MotoGP bem como a qualificação de Portimão e de outras pistas nacionais no automobilismo".
Sobre o impacto mediático, que o Governo estima em mil milhões de pessoas, Paulo Reis Mourão considera que será significativo mas não é visível a curto prazo para o cidadão e que "o mais provável é que esse impacto se observe nos vários anos da década seguinte", sendo "mais sentido e percebido por determinados agentes económicos".
"Uma grande notícia para Portugal"
Foi desta forma que Manuel Castro Almeida, ministro da Economia, caracterizou a oficialização do regresso da Fórmula 1 a Portugal, esta terça-feira, durante o anúncio oficial.
O acordo entre o Governo português e os promotores do campeonato foi assinado em Londres, mas a data da realização do Grande Prémio só vai ser conhecida em junho de 2026, quando for definido o calendário do Campeonato do Mundo de 2027, sendo previsível que integre a 'temporada' europeia, durante a primavera.
"Associamo-nos ao anúncio que está a ser feito em Londres a esta hora, que Portugal volta a integrar o calendário do Grande Prémio de Fórmula 1 já em 2027, no Autódromo Internacional do Algarve, e também está previsto que a prova regresse em 2028", disso o ministro da tutela.
"Se fosse hoje, teríamos um grave problema"
Se a Fórmula 1 regressasse a Portugal em 2025, o país teria um "grave problema" no que diz respeito às entradas nos aeroportos nacionais, reconheceu o ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, na oficialização do regresso do Grande Prémio da modalidade em 2027 e 2028.
"Quanto à questão das entradas, se tudo estivesse em 2027 como está hoje, seria um grave problema mas temos a profunda convicção que nessa altura, a situação da entrada nos aeroportos nacionais vai estar francamente melhor do que está hoje e não será um problema", explicou o governante.
O novo sistema europeu de controlo de fronteiras para cidadãos extracomunitários entrou em funcionamento em 12 de outubro em Portugal e restantes países do espaço Schengen.
As entradas e saídas de viajantes de países terceiros passaram então a ser registadas eletronicamente, com indicação da data, hora e posto de fronteira, substituindo os tradicionais carimbos nos passaportes.
A entrada em vigor deste sistema de entrada e saída tem agravado os tempos de espera, principalmente no aeroporto de Lisboa, com os passageiros a terem de esperar algumas vezes várias horas, o que levou recentemente o Governo a criar uma 'task force' de emergência para gerir esta situação de crise.