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Estão seis novas Sines em preparação, de Norte a Sul

Sines é um sucesso que está já ameaçado de sobrelotação. O Governo quer descentralizar. Vai construir seis réplicas. Planeadas e também com foco na Coesão Territorial.

Vão mais de 25 mil milhões de euros a caminho de Sines para a concretização de projetos industriais. É um investimento enorme, imenso. É mais do que um PRR, do que um PTRR ou do que o PT 2030. E tudo para ser concretizado num prazo apertado, até ao início da próxima década. Ambicioso, especialmente se tivermos em conta que não existe plano para o acomodar.
“Não há esse plano, mas estamos a tratar dele. Já tomámos todos a consciência de que é necessário fazer esse plano”, diz o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, ao Jornal Económico. “Sines não pode ser apenas um amontoado de fábricas. Moram lá pessoas, vivem lá pessoas. Há trabalhadores que depois têm as suas famílias e precisam de ter os filhos na escola, precisam de médico, precisam de supermercado, é preciso equipar as redes, as infraestruturas de água e de saneamento adequadas à dimensão a uma população que está a crescer e vai continuar a crescer”, diz. “Já conversei com o presidente da Câmara de Sines, que está totalmente ciente da necessidade de fazer este plano. Está muito interessado em que este plano envolva diversos departamentos do Estado”, explica.
São dores de crescimento. Sines é um sucesso e está a esgotar a sua capacidade. Já não há lotes infraestruturados para instalar uma grande empresa. “Mostrou ser uma ideia útil, tem uma localização extraordinária. Foi considerado há algumas dezenas de anos um elefante branco, afinal, não era elefante, nem era branco”, diz Manuel Castro Almeida.
A solução para a escassez não passa pela ampliação, mas por replicar o modelo. “Vamos dar agora a prioridade a criar outros Sines pelo país”, diz Castro Almeida.
A ideia é criar duas médias ou grandes áreas de acolhimento empresarial no norte do país – uma no litoral, outra no interior –, mais duas na região centro – uma no litoral, outra no interior –, mais uma na região de Lisboa e vale do Tejo, outra no Alentejo interior, porque o Alentejo Litoral já tem Sines.
“Não serão áreas com a dimensão de Sines, isso não existe”, avisa. A Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS) tem 4.157 hectares, ou seja, 41,57 quilómetros quadrados. Cerca de 3.306 hectares estão destinados a atividades industriais e logísticas, sendo o restante ocupado por infraestruturas, áreas ambientais, corredores de proteção e outros usos. Área sob gestão direta da AICEP Global Parques é de cerca de 2.375 hectares.
Serão seis novas, médias ou grandes, áreas de acolhimento empresarial. O ministro aponta para entre três e oito quilómetros quadrados, portanto entre 300 e 800 hectares. “São já áreas apreciáveis, mas de que o país está a precisar porque não pode acontecer que haja empresas estrangeiras a quererem instalar-se em Portugal e não ter áreas de dimensão necessária devidamente infraestruturadas”, diz Manuel Castro Almeida. “Eu prefiro vir a ser acusado de ter as áreas prontas e desocupadas do que ter de dizer que não podemos aceitar essa empresa porque não temos uma área com dimensão necessária devidamente infraestruturada”, acrescenta.
Estas novas áreas têm financiamento previsto no PTRR. A localização de cada uma será estudada pelas CCDR [Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional], em articulação com as comunidades intermunicipais e com a nova agência do PTRR, que vai iniciar funções dentro de pouco tempo.
As CCDR terão aqui um papel fundamental, como terão de ter em Sines. “Não é concebível fazer uma área empresarial no meio do deserto, sem nada à volta. Tem de haver casas, tem de haver condições para as pessoas lá habitarem também”, diz Castro Almeida. “Tem de haver um planeamento integrado e para isso ninguém melhor do que as comissões de coordenação e desenvolvimento regional”, defende.
Sines, a região mais do que o concelho, é herdeira de um plano pensado para criar um novo eixo económico em Portugal, a partir do investimento em indústria pesada, articulado com uma cidade nova, infraestruturas e uma vasta zona de expansão económica. O ponto central era o porto oceânico de águas profundas, capaz de receber superpetroleiros e grandes navios cargueiros. O plano não se concretizou por causa dos choques petrolíferos, da revolução e das intempéries. Mas o porto está lá e é o maior de Portugal, por onde passa metade das mercadorias transportadas por mar. E por isso lá está a refinaria da Galp, o maior ativo industrial português, que ocupa cerca de 400 hectares e é central no abastecimento energético nacional. Também o complexo petroquímico da Repsol, um dos mais importantes exportadores nacionais, ou a unidade de gases industriais da AirLiquide.
Agora, vem aí a nova economia, assente nas transições digital e energética. A Start Campus tem investimentos em marcha, com a Microsoft e a Nvidia a desenvolver um dos maiores projetos europeus de infraestruturas para cloud e inteligência artificial. Também os chineses da CALB, que estão a construir uma gigafábrica de baterias de lítio, a Madoqua nas renováveis, os suecos da Stegra no aço verde e a Topsoe na química. Está prevista a criação de mais de 11 mil empregos diretos, quase metade permanentes.

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