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Donald Trump lançou e cancelou invasão da ilha de Kharg

Os combates entre os EUA e o Irão (mas não Israel) regressaram esta semana. Trump ameaçou uma invasão. Curiosamente, os mercados não reagiram. Pouco depois cancelava tudo.

A forma errática como o presidente Donald Trump gere a guerra com o Irão ficou mais uma vez bem patente quando, esta quinta-feira, lançou e suspendeu o que dizia ser a tomada da ilha de Kharg, principal centro de exportação de petróleo do Irão, pelo exército norte-americano O cancelamento deu-se porque a liderança iraniana “aprovou” um projeto de acordo que estende o cessar-fogo, reabre o Estreito de Ormuz e dá início a 60 dias de negociações sobre o programa nuclear iraniano.
Para além destes pontos, que já foram abordados anteriormente e têm feito parte de todos os ‘cadernos de encargos’ que servem de agenda às negociações, o Irão terá imposto num novo item: quer que os nove mil milhões de dólares de ativos iranianos congelados no Qatar sejam rapidamente reentregues ao país. Ora, isso pode configurar a eventualidade de o orçamento da guerra estão a chegar ao fim e que Teerão tem de começar a olhar para as alternativas que se encontram à sua disposição.
A liderança iraniana dispensou-se, até à hora do fecho desta edição, de confirmar a aprovação – mas a Casa Branca diz que os Estados Unidos têm a concordância de vários países face ao acordo, entre eles Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Turquia, Paquistão e Bahrein. Mas vários analistas confirmaram, nomeadamente na comunicação social norte-americana, que um esboço de acordo gizado entre o Irão e o Qatar estaria para ser entregue aos Estados Unidos. “A data e o local da assinatura serão anunciados em breve”, disse Trump nas redes sociais – para afirmar que o bloqueio naval aos portos iranianos, iniciado em meados de abril, permanecerá em vigor até que a “transação seja finalizada”.
Segundo o jornal ‘Axios’, as negociações continuaram pela noite dentro de quarta-feira em Teerão, enquanto o enviado do Qatar, Ali Al-Thawadi, e o ministro das Relações Exteriores do Irão, Abbas Araghchi, trabalhavam para superar as divergências ainda existentes com os Estados Unidos. Qataris e iranianos acreditam ter chegado a um texto consensual que também seria aceite pelos Estados Unidos. O facto de Donad Trump ter parado os ataques parece indicar que é isso mesmo que terá acontecido.

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