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Alemanha derrotada na ONU revela fragilidades de Merz

Insucesso na corrida por um lugar não permanente no Conselho de Segurança volta a evidenciar que o chanceler não consegue lançar mais um “milagre alemão”.

Uma campanha tardia e principalmente uma diplomacia errática que culminou com as desabridas referências do chanceler Friedrich Merz ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. São estas as duas principais razões que terão levado a Alemanha a perder pela primeira vez uma eleição para um dos dois lugares não-permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, ‘arrebatados’ por Portugal e pela Áustria.
Mas não são apenas estas as razões. De um lado, a Alemanha enfrentou uma oposição ‘subterrânea’ da Rússia, um dos cinco membros permanentes, devido ao facto de o chanceler ser um dos três líderes europeus – juntamente com o francês Emmanuel Macron e com o britânico Keir Starmer – que têm sustentado de forma mais assertiva as posições do governo ucraniano face à guerra. O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, chegou a afirmar que a Rússia trabalhou ativamente para mobilizar oposição à candidatura alemã. Mas, por outro lado, e segundo os analistas, a Alemanha também não conseguiu ganhar tração junto dos países do chamado Sul Global – onde pontifica uma parte do mundo islâmico – desde logo pela forma ‘cega’ como respalda todas as ações de Israel, nomeadamente no enclave de Gaza. Muitos países aparentemente usaram a votação para demonstrarem o seu descontentamento com a política externa alemã nos últimos anos, que consideram ambígua e pouco empenhada. O facto de Berlim nada ter dito sobre os ataques militares dos Estados Unidos à Venezuela é apenas um dos exemplos possíveis.
Para todos os efeitos, lembram alguns analistas – nenhum deles português – Portugal e a Áustria são países com um peso político bem diverso do da Alemanha, que não terão com certeza qualquer interesse em deixar de seguir posições cordatas e não-conflituantes seja em que matéria for.

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