José Reis, CEO da DHL Express Portugal, revela ao JE que os próximos três anos vão ser de investimento contínuo. “O que temos previsto, com todas as iniciativas que estamos a implementar - eletrificação da frota, investimentos na digitalização, incorporação de inteligência artificial e instalações - anda em torno de 15 milhões de euros”.
As instalações que o gestor refere são na Póvoa de Santa Iria, cidade-dormitório de Lisboa, no concelho de Vila Franca de Xira, com forte passado industrial, a uns 20 minutos do aeroporto Humberto Delgado.
A proximidade ao aeroporto é pão para a boca numa empresa de transporte, logística e gestão da cadeia de abastecimento. Porém enquanto o sucessor da Portela não ganha contornos mais definidos, as decisões de negócio estão necessariamente limitadas ao curto, médio prazo.
“Aquilo que estamos a fazer, juntamente com a ANA/Vinci (concessionária do aeroporto, detida pelo grupo empresarial francês Vinci) é ver até que ponto podemos melhorar as condições que temos no atual aeroporto e investir numas instalações que temos na Póvoa de Santa Iria”.
A Póvoa de Santa Iria é assim e por agora o ativo a potenciar. “São instalações que existem, mas que requerem ser automatizadas e melhorias do ponto de vista de engenharia civil. Entre a automatização e a adequação das instalações, podemos estar a falar de um investimento na casa dos cinco milhões de euros”, adianta José Reis ao JE.
Os planos da DHL Express passavam até recentemente por um investimento de monta no Humberto Delgado. “Tínhamos um projeto muito interessante para Lisboa. Nós pretendíamos, até há bem pouco tempo, investir 50 milhões de euros no atual aeroporto, mas dadas as dificuldades que fomos encontrando ao longo do caminho e depois do anúncio do novo aeroporto de Lisboa, entendemos, localmente, que não fazia sentido”. Fará no futuro. Palavra de CEO.
“Estamos muito interessados na capacidade que este Governo quer criar, que é o novo aeroporto de Lisboa”, afirma, acrescentando: “Queremos aí - aliás, fomos consultados nesse sentido - ver quais são as necessidades que vamos ter assim que o aeroporto começar a ser construído”. José Reis salienta que a futura infraestrutura vai ter uma área específica para a carga aérea, ao contrário do que acontece atualmente. Essa área permitirá a empresas como a DHL operar de forma adequada.
“Olhamos para o novo aeroporto com muito interesse. Sabemos que pode ser um grande facilitador das nossas exportações. Por isso, a DHL está interessada no futuro em poder investir no novo aeroporto”, afirma.
Nesta altura do campeonato, o CEO não arrisca números para o investimento. “Estamos a falar de um aeroporto que estará disponível, na melhor das hipóteses, dentro de 12 anos. Ainda assim, vejo que o Governo, este Governo, está muito empenhado em torná-lo realidade”.
O Grupo DHL, um dos mais pujantes investimentos alemães em Portugal, emprega no país cerca de duas mil pessoas, das quais cerca de 700 estão na esfera da DHLExpress Portugal, que José Reis lidera desde 2018. Entre as realizações mais relevantes conta-se a expansão do hub do Porto, dentro do aeroporto Francisco Sá Carneiro. Inaugurado em 2024, requereu um investimento de 25 milhões de euros.
Uma fatia significativa dos 15 milhões do pacote de investimentos para os próximos três anos é destinada à transição digital, à incorporação de inteligência artificial e à automação na Póvoa de Santa Iria.
Outra fatia cumpre o desiderato da descarbonização dos transportes e da sustentabilidade, através da eletrificação da frota. “Neste momento, temos 47% da frota eletrificada. O objetivo para 2026 é, no final do ano, atingirmos os 70%. A frota DHLExpress Portugal soma 220 veículos. Nos aviões, a empresa utiliza combustível sustentável, reduzindo em mais de 30% as emissões de CO2.
Numa empresa em que carros e aviões são ferramentas de trabalho diárias, a eficiência é uma meta a cortar.
DHL Express planeia investir 15 milhões nos próximos três anos
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Empresa de transporte e logística vai recuperar instalações na Póvoa de Santa Iria e acabar de eletrificar a frota. E tem futuro aeroporto no horizonte.