A expansão dos centros de dados em Portugal, impulsionada pela inteligência artificial e pela computação em nuvem, esteve em debate na oitava edição do Lisbon Law & Tech, onde foram analisadas as condições para Portugal captar investimento em infraestruturas de processamento de dados, num mercado em que a disponibilidade de energia, os custos de operação e a regulação ganham peso nas decisões dos investidores.
A conferência, organizada pelo Instituto de Conhecimento da Abreu Advogados, no auditório da sociedade de advogados, em Lisboa, reuniu representantes do Governo, da academia, da indústria tecnológica e da advocacia. A sessão de abertura esteve a cargo de Bernardo Correia, secretário de Estado para a Digitalização, que abordou o posicionamento de Portugal no desenvolvimento dos centros de dados e a importância da tecnologia para a competitividade e a soberania digital. “Não há outra forma de construir prosperidade a longo prazo sem tecnologia e quando falarmos de soberania no setor das TIC lembro-me sempre do velhinho ZX Spectrum. O momento na Europa está a mudar bastante. A palavra que se ouve mais é competitividade”, diz o secretário de Estado para a Digitalização.
O governante reconheceu ainda que Portugal enfrenta desafios ao nível da capacidade computacional instalada. “Temos de saber onde estamos hoje. Não podemos querer ter os impactos inovadores da IA, precisamos de nos tornar mais competitivos em computação. Para sermos soberanos em tecnologia precisamos de capacidade computação”, acrescenta.
A simplificação administrativa e a digitalização foram apontadas pelo secretário de Estado como os dois pilares principais da reforma do Estado. “É preciso olhar para os processos como um todo, simplificá-los e acrescentar mais valor através da digitalização”, explica.
No que respeita ao Plano Nacional de Centro de Dados, Bernardo Correia destacou a importância da regulação, da governação e da previsibilidade para atrair investimento.
“A regulação e a governação são absolutamente críticas. Temos de conseguir dar mais previsibilidade, pontos únicos de contactos aos investidores, para garantir que os investimentos, de facto, acontecem em tempo útil.”
A energia e as infraestruturas constituem outro dos eixos estratégicos do Plano, numa abordagem que pretende ir além da instalação de centros de dados e promover o desenvolvimento de uma cadeia de valor associada ao setor.
A interoperabilidade foi também destacada como um instrumento essencial para simplificar a relação entre o Estado, os cidadãos e as empresas, evitando a duplicação de procedimentos e de documentação. “O Princípio da Interoperabilidade é a capacidade de o Estado não estar a exigir a pessoas e empresas o que já tem em seu poder. A lei da interoperabilidade está neste momento para ser aprovada”, sublinha o secretário de Estado para a Digitalização.
Na conclusão da intervenção, Bernardo Correia defendeu que o desenvolvimento das infraestruturas digitais deve traduzir-se em maior capacidade de inovação, produção de aplicações e investimento em investigação e desenvolvimento.
“Temos de pôr o Estado a produzir aplicações digitais do melhor que se faz no mundo. Temos uma oportunidade única com esta transformação digital e construção de infraestruturas de voltar a ambicionar sermos competitivos em Portugal e Europa”, conclui o governante.
Criar valor económico a partir dos dados
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Portugal quer afirmar-se como destino de investimento em centros de dados, num contexto de crescimento da inteligência artificial e da computação em nuvem.