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Centros de dados: os desafios da energia e regulação

A evolução dos data centers em Portugal exige maior capacidade da rede elétrica, previsibilidade regulatória e processos de licenciamento mais céleres.

O segundo painel, “Energia, regulação e sustentabilidade: como governar o crescimento dos Data Centers”, juntou Jorge Andrade, administrador da Portugal DC, Carlos Paulino, diretor-geral da Equinix em Portugal, Tiago Corrêa do Amaral, sócio da Abreu Advogados, e Madalena Bernardes Coelho, sócia contratada da Abreu Advogados.
Jorge Andrade destacou a aceleração do setor dos centros de dados em Portugal, “Nós vimos de uma altura em que Portugal tinha entre 16 a 30 megawatts implantados em todo o país. Neste momento estamos a pensar entre os 100 e os 170 megawatts em implementação até ao final do ano. Aquilo que estamos a presenciar é uma aceleração naquilo que é o crescimento do setor. Para o País é uma oportunidade gigante. Os primeiros passos que estamos a dar nomeadamente o Plano Nacional de Centros de Dados (PNCD) é muito bem-vindo por todo o setor”, explica Jorge Andrade, administrador da Portugal DC.
A necessidade de tornar os processos de licenciamento mais rápidos e previsíveis foi igualmente destacada por Carlos Paulino, diretor-geral da Equinix em Portugal. “Os processos de licenciamento de data centers têm estado de forma linear a ser mais céleres. Estes últimos cinco ou seis anos fizeram com que mais processos estivessem claros. Eu levei 16 anos a licenciar o primeiro data center, agora espero levar três. O tema da energia é crítico e não há um incentivo à criação de valor. Ou seja, em Portugal é mais seguro rejeitar um projeto do que aceitá-lo. Devemos ter capacidade para ter uma regulação compreensível e adotada por um investidor”, afirma Carlos Paulino, diretor-geral da Equinix.
Do lado da advocacia, Tiago Corrêa do Amaral chamou a atenção para a necessidade de antecipar o investimento na rede elétrica, de modo a garantir que a capacidade de ligação esteja disponível quando os projetos estiverem concluídos.
“Nós sabemos que os operadores de rede são tradicionalmente conservadores nos investimentos que fazem e gostam pouco de ter ativos parados. Se queremos estar com a rede no local quando estes projetos estiverem prontos é necessário que haja um compromisso de antecipar investimento. Os regimes que estão a ser adotados ajudam e vão permitir desbloquear alguma dessa capacidade e se calhar viabilizar alguns projetos”, sublinha Tiago Corrêa do Amaral.
A componente ambiental e a previsibilidade dos procedimentos de Avaliação de Impacte Ambiental estiveram entre os temas abordados por Madalena Bernardes Coelho, sócia contratada da Abreu Advogados. “A Avaliação de Impacte Ambiental é uma disciplina que já existe há muito nosso ordenamento jurídico. Os data centers podem ser sujeitos a Avaliação de Impacte Ambiental de forma diferentes e quem vem investir não sabe exatamente como vai avançar com o projeto. Mas há uma boa notícia. O Plano Nacional prevê uma entidade coordenadora única que possa receber o operador, perceber como o projeto pode ser avaliado e explicar ao promotor como vai ser o caminho. É fundamental saber com o que contamos e ter uma entidade que coordene estes momentos”, sublinha Madalena Bernardes Coelho.

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