Apesar dos debates em torno da IA e migrações, o prato quente do Fórum foi, como noutros anos, o painel de política monetária que encerrou o evento. Do lado europeu, Christine Lagarde reforçou, à semelhança de outros governadores, a pertinência de terem subido taxas em junho; do lado norte-americano, Kevin Warsh garantiu que a independência da Fed se manterá, mas voltou a recusar dar sinais quanto ao futuro.
Os presidentes do BCE e da Fed juntaram-se aos seus homólogos britânico e canadiano no encerramento do Fórum, onde Christine Lagarde voltou a considerar a decisão de subir os juros diretores da zona euro em 25 pontos base (pb) no início deste mês como acertada – uma visão já antes expressa por alguns dos governadores nacionais.
“Fizemo-lo porque tínhamos as condições monetárias perfeitas para tal”, começou por explicar, lembrando os fenómenos verificados no indicador subjacente e na tendência da inflação, mas também na força da transmissão da política monetária à economia real.
Antes, os governadores alemão, austríaco e estónio também haviam defendido a opção, mantendo em aberto a reunião de julho, mas garantindo que estão a monitorizar de perto os impactos indiretos, em particular a possibilidade de efeitos de segunda ordem.
Por outro lado, e questionada pelo público, Lagarde voltou a afastar o risco de estagflação na zona euro. A banqueira considera esse “um conceito dos anos 70” e com diferenças claras em relação à atualidade.
“Agora estamos em níveis historicamente baixos de desemprego […] e estamos a tomar todos os passos para assegurar a estabilidade de preços”, atirou. “Não vamos deixar o génio escapar.”
Já Kevin Warsh, que reuniu boa parte da atenção dos investidores, voltou a esquivar-se a quaisquer orientações futuras, lembrando que o mercado conhecerá o resultado da reunião de julho dentro de quatro semanas. O presidente da Fed reconheceu que “havia uma tendência […] de ‘alimentar à mão’ os mercados” na altura da grande crise financeira, uma visão que ele, à altura, também apoiava, mas que a situação se alterou e tal já não se verifica.
Ainda assim, e perante a desconfiança de alguns analistas quanto à independência em relação a Trump, que há muito vem pedindo juros mais baixos, houve uma resposta clara: “estamos no ramo da estabilidade de preços” e é aí que vão continuar.
“Somos um banco central independente há muito tempo e vamos continuar a sê-lo”, garantiu.
BCE e Fed alinham: inflação é para abater sem orientação futura
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Do lado dos EUA, Warsh já se havia manifestado contra qualquer forward guidance, uma visão apoiada por Lagarde. E garantem: não desistem na luta contra a inflação.