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Banco de Fomento tem objetivo: financiar 20 mil empresas com 8 mil milhões. Protagonistas antecipam 2026 ao JE

Maior e melhor com novos instrumentos: ao JE, o presidente do Banco de Fomento, Gonçalo Regalado, estabelece os objetivos para este ano. Conheça as previsões deste e de outros protagonistas para o que irá marcar 2026.

Gonçalo Regalado, CEO do Banco de Fomento

"2026 traz um conjunto relevante de desafios mas com inúmeras oportunidades para as Empresas e para a Economia Portuguesa. Há espaço para ganharmos Escala nos Mercados Globais com a abertura do novo acordo UE-Mercosul, com o reforço do mercado interno europeu e com a procura de novos mercados em África, no Pérsico e no Oriente. Portugal tem uma situação de estabilidade económica, paz social, equilíbrio de contas públicas e garantias de um ambiente favorável ao investimento. Portugal tem um bom pipeline de investimento direto estrangeiro na indústria, na tecnologia, na inteligência artificial, no software, no turismo, nos serviços, na energia ou nas infraestruturas. As Empresas passaram a contar com o Banco de Fomento para ser o Motor da Economia, o acelerador do crescimento e o multiplicador dos instrumentos financeiros de apoio ao investimento. Em 2025, o BPF colocou 6,5 mil milhões de euros na Economia, representando 2,2% do PIB, apoiando mais de 16 mil Empresas com mais de 18 mil operações de financiamento do investimento. Foi possível multiplicar por 12 vezes a atividade de 2024. Em 2026, apontamos que este apoio supere os 8 mil milhões de euros para financiarmos o investimento de mais de 20 mil Empresas. Em 2026, o Banco Português de Fomento será maior e melhor com novos instrumentos: subvenções, garantias, capital, dívida, seguros de crédito e fundos de investimento imobiliário para multiplicarmos o impacto na construção de valor da Economia Portuguesa. Vamos continuar a superar a Europa e a fazer de Portugal um País melhor e maior."

 

Pedro Teles Baltazar, presidente Nova Expressão, ComOn, Powemedia e presidente da Assembleia Geral da APAME

Para perspetivar 2026, mais um ano de interessantes desafios na indústria de Media, é necessário apontar dados relevantes de 2025 no mercado português. O investimento em media cresce mais ou menos 4%, a Impresa atrai para o seu capital know how de televisão e capital fresco; a Medialivre cresce com acionista relevante e operação vencedora e a boa primeira impressão da RTP 3, a faturação no segmento outdoor exponencia e o seu produto adapta-se aos tempos. Digital e Plataformas a consolidar e Rádio a escolher novos planetas. Nas agências de meios, a quota das nacionais cresce, aumento exponencial do uso da tecnologia nas operações. O ponto mais negativo foi a suspensão do Playce que acelerou a continuada transferência de investimento nacional para as plataformas internacionais. Para 2026, Portugal pode continuar a evidenciar as suas características de um país diferenciado no seu continente , mesmo com o inevitável aumento de perigosa agressividade entre uma Europa em renovação e uma frente leste sem escrúpulos. Toda a nossa economia vai continuar a atrair interesse e investimento de dimensão e toda a indústria de media vai ter maior obrigação de qualificar os seus conteúdos e cada vez mais conseguir acompanhar os desenvolvimentos dos seus mercados, e mentalidade e as escolhas das suas audiências. Sobre as agências de media, as consolidações Internacionais com repercussões e tendências no nosso mercado torna necessário que as regras de livre concorrência sejam respeitadas pelos novos operadores e como os melhores pensadores sabem, abuso de dimensão nunca traz nada de bom aos mercados.

 

José Cardoso Botelho, empresário e gestor

Em 2026, a competitividade nacional exigirá a fusão estratégica entre investimento em infraestrutura e capital humano qualificado. O imobiliário, além de ativo seguro, deve catalisar setores de alto valor, como a transição energética e a industrialização da construção entre outras áreas críticas nomeadamente Life Sciences e Saúde. Portugal tem de se afirmar como hub atlântico estratégico entre UE e EUA, onde a retenção de talento e a produtividade ditam o crescimento. O futuro exige um ecossistema sofisticado, focado na reindustrialização tecnológica e em serviços avançados de escala global.

 

Pedro Ginjeira do Nascimento, secretário-geral da Business Roundtable Portugal

A reindustrialização, a inteligência artificial e a transição energética criam oportunidades reais, mas só para quem agir. Portugal tem talento e estabilidade, mas continua a perder tempo com um enquadramento fiscal e regulatório que penaliza quem quer criar riqueza e crescer.
Sem simplificação, sem previsibilidade, sem velocidade e sem um sistema fiscal que recompense a ousadia, a criação de riqueza, o aumento de escala e de produtividade, ficaremos a lamentar-nos enquanto outros avançam. A próxima década não será dos países que analisam e discutem, mas dos que fazem e valorizam quem faz. 2026 deve ser um ano de ação.

Miguel Guedes de Sousa, Founder & CEO do JNcQUOI

2026 tem de ser o ano da execução e da confiança. O que é necessário? Resolução imediata do controlo de fronteiras no aeroporto de Lisboa, estabilidade política interna, reformas estruturais com consenso e garantias claras de que Portugal continua a ser um país seguro e aberto ao mundo, ativos que verdadeiramente fazem a diferença. O contexto internacional é exigente, mas favorável a quem age rápido. Não podemos perder a atratividade conquistada no turismo nem no investimento estrangeiro. É igualmente essencial resolver a crise da habitação e assegurar um sistema de saúde eficiente e acessível, pilares básicos e para todos. Portugal provou no pós-Troika que sabe crescer: turismo forte, economia a 3% elogiada pelo The Economist e pelo Financial Times, desemprego em queda, salários e poupança a subir, imobiliário valorizado, dívida controlada e investimento estrangeiro relevante. Agora é preciso ir mais longe: justiça rápida, mercado de trabalho flexível, fiscalidade atrativa, segurança absoluta, infraestruturas modernas e escala empresarial. 2026 tem de consolidar o sucesso e transformá-lo em futuro, sob pena de ficarmos, mais uma vez, para trás.

 

António Nogueira Leite, Professor da Nova SBE e Presidente da Mapfre Portugal

O ambiente de negócios em Portugal em 2026 deve ser caracterizado por crescimento económico estabilizado em torno dos 2 % e um mercado de trabalho robusto, o que sustenta o crescimento da procura interna, beneficiando ainda dos investimentos do PRR. As empresas portuguesas têm anunciado importantes intenções de investimento, especialmente em inovação e transição verde, revelando mesmo um otimismo acima da média europeia. O país continua a atrair investimento direto estrangeiro, com destaque para tecnologia e serviços profissionais. Persistem, contudo, entraves estruturais que, são obstáculos ao crescimento e à competitividade e que podem limitar expansão empresarial, sobretudo num contexto de risco global elevado dados os desafios geo-estratégicos.

 

Manuela Tavares de Sousa, Membro Executivo da Lacasa

Para o próximo ano, a reinvenção manter-se-á como um eixo estruturante. A indústria do chocolate continuará a evoluir num contexto de adaptação permanente, impulsionado por consumidores cada vez mais atentos a escolhas conscientes e a estilos de vida mais saudáveis. Neste enquadramento, a procura por alternativas plant-based e por opções de chocolate negro, associadas a um menor teor de açúcar, deverá manter-se. Em paralelo, as soluções on the go, práticas e prontas a consumir, continuarão a assumir relevância. Estas têm sido algumas das apostas estratégicas da Lacasa, cuja atuação assenta na inovação e na antecipação de tendências. Com 170 anos de história, a Lacasa mantém uma visão orientada para o futuro, reforçando a ligação aos consumidores e o papel do chocolate como momento de prazer e criação de boas memórias.

 

Paulo Veiga, CEO da EAD

2026 será um ano de ajuste à realidade. Com o fim do PRR, a economia portuguesa deixa de ter rede e volta a enfrentar os seus problemas estruturais: baixa produtividade, excesso de burocracia e fraca escala empresarial. O aumento do salário mínimo é socialmente necessário, mas sem ganhos reais de produtividade continuará a pressionar margens, sobretudo nas PME. O desafio central será fazer mais e melhor com menos apoios. As empresas que investirem em eficiência, tecnologia, qualificação e cultura de gestão vão aguentar. As outras sentirão que o tempo do crescimento fácil acabou.

 

Paulo Abrantes, diretor-geral do Grupo Decisões e Soluções

2026 continuará a ser um ano de desafios, mas também de oportunidades para a consolidação do mercado imobiliário e da intermediação de crédito em Portugal. A evolução das condições financeiras, aliada à confiança das famílias, poderá contribuir para um ambiente mais favorável ao investimento nestes setores. Neste sentido, o aconselhamento especializado assume um papel essencial para ajudar as famílias a tomarem decisões financeiras responsáveis e adaptadas ao seu perfil, contribuindo para um mercado sólido e alinhado com o crescimento da economia nacional. Para o Grupo DS, em particular, 2026 será um ano onde vamos apostar no crescimento do número de lojas, colaboradores e clientes satisfeitos.

 

 

Carlos Leal, Executive Chairman da United Hospitality Management (UHM)

Em 2026, a economia portuguesa continuará a depender da capacidade de transformar crescimento em valor sustentável. Para o turismo e hospitalidade, pilares essenciais da economia, o desafio será evoluir da quantidade para a qualidade. A procura manter-se-á forte e exigente, e a escassez de mão de obra e concentração territorial continuarão a pressionar as empresas a investir em pessoas, infraestruturas e inovação.

A colaboração público-privada, alinhada com a identidade e qualidade de vida das comunidades, será crucial. O turismo continuará a gerar impacto positivo nos territórios e nas suas pessoas e a contribuir para a projeção de Portugal no mundo, desde que assente numa estratégia sustentável e de longo prazo.

 

Rui Silva, Diretor Geral da GuestReady em Portugal

Integrar AL, estadias corporativas, arrendamento mobilado e boutique hotéis num modelo único e tecnológico será o principal objetivo da GuestReady, que quer continuar a afirmar-se como o operador de hospitalidade mais fiável em Portugal. A aposta na gestão de edifícios e operações multi-unidade assim como a expansão e crescimento em Lisboa, Madeira e Açores são outros dos destaques.  Esperamos que o setor do AL continue o seu caminho de consolidação, com mais profissionalismo e exigência. As unidades menos qualificadas tenderão a sair do mercado por já não estarem à altura das expectativas dos hóspedes. Acreditamos que quem operar com qualidade e visão integrada continuará a crescer num mercado mais maduro e competitivo.

 

 

Rui Torgal, CEO da ERA Portugal

Em 2026, o setor imobiliário português deverá continuar a crescer. A forte procura, aliada a uma oferta ainda insuficiente, mantém a pressão sobre os preços e agrava os desafios no acesso à habitação, sobretudo nas grandes cidades. Num contexto macroeconómico exigente, o ano irá favorecer operadores mais profissionais, estruturados e confiáveis, capazes de liderar a transformação e consolidação do setor. A inovação será cada vez mais um ponto de diferenciação importante para chegar aos clientes portugueses e aumentar a literacia imobiliária em Portugal.

 

 

Luís Mira Amaral, Engenheiro e Economista

Os contornos da novem ordem impulsionada por Trump tornar-se-ão claros em três dimensões:(1) no futuro das democracias liberais ocidentais com a ameaça do RN em França, da AfD na Alemanha , do Reform Uk no Reino Unido e com as eleições americanas em Novembro ,onde veremos se o MAGA se consolida ;(2)na geopolítica veremos se a postura transacional de Trump evoluirá para uma abordagem hibrida em três dimensões: acordos de paz no mundo(designadamente em Gaza e Ucrânia) ; intervencionismo musculado no quintal americano(nomeadamente na América Latina) ; acordos oportunísticos nas cadeias de abastecimentos que asseguram os metais críticos(como o que Trump fez com a Ucrânia);(3)na economia, veremos se haverá correções nos mercados bolsistas, e se há bolha criada pela IA, qual o impacto das tarifas nos consumidores ,se há sustentabilidade nos défices americanos e se Trump consegue controlar o Banco Central Americano.

 

 

Luís Ferreira, Reitor da Universidade de Lisboa

No próximo ano, é expectável que as universidades portuguesas reforcem a ligação ao tecido económico, com maior foco na empregabilidade, na investigação aplicada e inovação e na captação de financiamento externo. A economia nacional deverá manter um crescimento contido, apoiado no turismo, nos fundos europeus e num consumo cauteloso. No setor dos negócios, o cenário aponta para consolidação: menos risco, mais eficiência operacional, digitalização gradual e aposta seletiva na internacionalização. Em resumo: Um ano de continuidade previsível, sem sobressaltos nem avanços excecionais.

 

 

Filipe Santos, Dean da CATÓLICA-LISBON

Apesar dos riscos para a economia global, o ano de 2026 deverá trazer para a economia portuguesa uma continuação do sólido desempenho que tem tido desde 2023 e que recebeu o reconhecimento do The Economist como Economia do Ano em 2025. O crescimento de emprego poderá abrandar fruto das restrições à imigração e ao fim do PRR mas manter-se-á positivo. O investimento privado e público deverá aumentar, bem como o consumo das famílias devido ao aumento do rendimento real dos portugueses, fruto do aumento do salário mínimo e das reduções de IRS. As contas públicas manter-se-ão excedentárias em 2026 embora menos que em 2025, continuando a sólida trajetória de redução da dívida pública. É importante notar que a incerteza geo-política mundial beneficia Portugal, fruto da sua localização segura, atratividade crescente para o talento global, criação de empresas, investimentos na economia verde e digital, e criação de centros de desenvolvimento de multinacionais.

 

 

António Sousa Pereira, Reitor da Universidade do Porto

Portugal pode esperar um crescimento económico acima da média europeia no próximo ano se a atual estabilidade política corresponder a uma estabilidade das políticas económicas, financeiras e fiscais. Para este crescimento se tornar estrutural são necessárias, no entanto, políticas públicas de ciência e de inovação que permitam ao país ter ganhos de produtividade consistentes que permitam tornar os seus bens e serviços mais competitivos no mercado global. A forma como se irá concretizar a fusão da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) na Agência Nacional de Inovação – ANI será determinante neste processo.