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Aos 17 anos, o mundo é deles. Mas valem zero no Transfermarkt

Arrebataram a Europa em junho e o mundo em novembro (pela primeira vez na história do futebol português) mas apesar do talento (dominado por SL Benfica e FC Porto), o futuro é uma incógnita.

Estes 21 miúdos já conquistaram a Europa e o mundo mas ainda nem idade têm para votar e ainda deixaram Marcelo a ponderar se devia condecorá-los com a Ordem de Mérito: os mais jovens de sempre a receber essa distinção. Ainda assim, o título mundial conquistado no Qatar (o primeiro desempre para Portugal neste escalão com uma vitória por 1-0 frente à Áustria) apanhou de surpresa os serviços da Presidência da República que, de acordo com o chefe de Estado, não tinha medalhas para dar a todos aquando da receção em Belém. Mas ficou prometido: a 2 de janeiro far-se-á a festa merecida e a condecoração. Se o título mundial apanhou Marcelo de surpresa, o país futebolístico já depositava grandes expectativas neste jovem grupo: em junho deste ano, esta Seleção já tinha deslumbrado na Albânia com a conquista do título europeu de sub-17, o terceiro na história do futebol português depois de 2016 e 2003. Portugal abalroou a França por 3-0 e não deixou dúvidas de quem manda neste escalão, na Europa e no mundo.
No Qatar, confirmou-se o poderio. E o futuro? Se no campo ninguém os bate, resta perceber como é que os seus clubes (grupo é dominado por SL Benfica e FC Porto tendo ainda alguns atletas do Sporting CP, V. Guimarães e SC Braga) vão gerir estes jovens talentos. Para já, uma certeza: os contratos dos onze que iniciaram a partida que lhes deu a glória mundial terminam todos em 2027 e desta equipa inicial,apenas seis são agenciados: um deles pela Gestifute (reconhecida agência liderada por Jorge Mendes), dois pela CAA Stellar, agência de reputação internacional que representa alguns dos melhores talentos das “Big5” e ainda dois que são representados pela AS1 que tem nos seus quadros alguns dos melhores jogadores da Seleção Nacional como Nuno Mendes, Gonçalo Inácio e Bruno Fernandes.
Apesar de terem garantido o ceptro mundial, a Seleção portuguesa sub-17 não mexe com os ponteiros do site “Transfermarkt”, plataforma internacional que monitoriza os valores de mercado dos futebolistas. Numa vasta lista em que estes especialistas colocam um “preço” aos melhores atletas do Mundial, estes especialistas não contemplam um único jogador português nessa pesquisa. Num escalão em que alguns talentos já valem tantos milhões de euros (aos 17 anos, LamineYamal, extremo do FC Barcelona, já valia 200 milhões de euros), os jovens campeões do mundo passam ao lado dessa avaliação.
Numa análise aos minutos disputados por este grupo liderado pelo técnico Bino Maçães, é possível perceber que muitos deles jogaram mais minutos no Mundial do que pelos clubes que representam, apesar de todos eles já terem disputado duas ou mais competições esta temporada. Do onze titular no jogo decisivo, apenas um jogador já jogou uma competição profissional esta época: Daniel Banjaqui, defesa direito do SL Benfica, fez quatro partidas (216 minutos) pela equipa B na Segunda Liga (prova em que os últimos classificados são precisamente FC Porto e SL Benfica). De resto, a competitividade destes atletas tem passado sobretudo por outras provas como a Liga Revelação, campeonato nacional de sub-19 e Liga Revelação (prova destinadaa jogadores sub-23).

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